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O 25 de Abril no ecrã: Quando o cinema português quis mudar o País e está agora a filmar os seus fantasmas

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25.04.2026

Dos filmes militantes do PREC às estreias recentes de “Revolução (Sem) Sangue”, “Portugueses” e agora de “Projecto Global”, o 25 de Abril continua a ser uma ferida luminosa no cinema português: gloriosa, contraditória e muito menos pacífica do que a lenda gosta de contar.

O 25 de Abril tem sido uma das grandes matérias-primas do cinema português. Não apenas como acontecimento histórico, mas como momento de transformação visual, emocional e simbólica. Foi uma explosão de imagens. Um terramoto de vozes, corpos, ruas, gestos e memórias. Durante algum tempo, pareceu que toda a gente queria filmar tudo: os tanques, os cravos, os soldados, as varandas, as fábricas ocupadas, os camponeses em assembleia, as mulheres a falar de trabalho e de vida, os bairros, os presos libertados, as contradições, a confusão e a euforia. O País abriu-se e o cinema, que durante tanto tempo vivera comprimido pela censura, saiu para a rua com uma fome quase física de ver e registar.

Durante alguns anos, o cinema português acreditou mesmo que podia não apenas fixar a História, mas participar nela. Era uma ideia bonita, romântica e, ao mesmo tempo, arriscada. Mas houve esse momento, e é mais do que justo reconhecê-lo, já que o cinema de Abril tentou também refundar-se a si próprio: pôs em causa a figura do autor, aproximou-se da televisão, experimentou novas formas de organização cooperativa, desceu à rua, foi ao campo, foi ao encontro das comunidades e dos conflitos concretos do país. A Cinequipa, a Cinequanon, o Grupo Zero e outras estruturas de produção pareciam anunciar não apenas um novo cinema dentro do cinema novo português, mas também uma nova forma de produzir imagens e de olhar para o país.

Soa grandioso. E foi. Também foi caótico, desigual, por vezes hoje visto como muito datado e, em não poucos casos, cinematograficamente frágil. Convém dizê-lo, porque falar do cinema da Revolução tende demasiadas vezes a cair na veneração automática. Nem tudo o que se filmou no PREC era bom cinema só porque vinha embrulhado em urgência histórica. Há por ali muito panfleto, muita voz off convicta, muito didatismo, muita imagem tratada como ilustração de uma ideia prévia. Por vezes, o povo surgia menos como realidade complexa do que como figura enquadrada por uma pedagogia demasiado segura de si. Falava-se em nome dele, explicava-se........

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