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Uma geração levada à bastonada à porta do futuro

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25.10.2026

Uma chave de casa cabe na palma da mão. Pesa pouco, ocupa quase nada, mas pode conter uma vida inteira: a possibilidade de fechar a porta, de amar sem pedir licença, de pousar os livros numa estante que não seja provisória, de decidir onde começa o nosso silêncio. Para muitos jovens, essa pequena peça de metal tornou-se mais distante do que todas as tecnologias que aprenderam a dominar. Conseguem falar com alguém do outro lado do planeta, mas não conseguem pagar um lugar para viver na cidade onde trabalham. É uma estranha forma de progresso, esta que nos aproxima de tudo enquanto nos afasta de uma vida possível.Na madrugada de 25 de outubro, a polícia desmantelou os acampamentos pelo direito à habitação em Lisboa e no Porto. Houve bastonadas, feridos e detenções. A PSP classificou a atuação como proporcional; os manifestantes denunciaram violência sobre pessoas que protestavam pacificamente. Esta divergência exige apuramento independente e responsabilidades concretas. Exige também que não deixemos desaparecer a pergunta essencial debaixo da discussão sobre as tendas: como chegámos ao ponto em que reclamar uma casa se tornou matéria de intervenção policial?Penso na geração que viveu a juventude nos anos 60 (como os meus pais) e naquela a que demos a última letra do alfabeto. A comparação exige cuidado. Em Portugal, os anos 60 tiveram censura, polícia política, pobreza, fome, penúria, emigração e guerra colonial. Seria uma ofensa à memória apresentar esse tempo como um jardim de oportunidades. Nem todos tiveram esperança, nem todos puderam transformar a sua vida. Contudo, entre os que resistiam, havia um horizonte de libertação; e, depois de Abril, a possibilidade de estudar, de aceder a cuidados de saúde, de conquistar direitos e de dar aos filhos uma vida melhor ganhou uma expressão coletiva.A esperança tinha adversários, mas tinha........

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