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Os Últimos Samurais e os Exames Nacionais em chamas

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29.06.2026

Há um país inteiro suspenso na expectativa dos resultados dos exames nacionais e, no entanto, por detrás dessa ansiedade coletiva, instala-se um cenário inquietante: milhares de professores classificadores confrontados com falhas técnicas, atrasos na distribuição de provas e condições de trabalho indignas de um processo que determina o futuro de gerações. Em plena transição para a correção digital, há quem não tenha recebido provas, quem não tenha acesso às plataformas e quem trabalhe sob pressão acrescida por calendários cada vez mais apertados. Os sindicatos falam num “caos” organizativo, com relatos de exames incompletos, problemas técnicos recorrentes e decisões administrativas que colocam em causa a credibilidade de todo o sistema e uma CONFAP que irresponsavelmente nem se pronuncia.

Perante isto, torna-se inevitável perguntar: como pode um país exigir rigor absoluto a quem não oferece condições mínimas de respeito?

É aqui que esta crónica começa. Chamemos-lhes, então, Os Últimos Samurais.

Num tempo em que o ruído substituiu o pensamento e o imediato esmagou o essencial, há homens e mulheres, docentes, que continuam a atravessar o limiar de uma sala de aula ou o silêncio extenuante das horas de classificação como quem entra, todos os dias, num campo de batalha invisível. Não empunham a Katana. Não vestem armaduras. Não recolhem glória. Levam apenas palavras, critérios, consciência e uma resiliência que, silenciosamente, sustenta o futuro.

Para compreender a densidade desta imagem, é preciso regressar ao Japão feudal. Os samurais não eram apenas guerreiros: eram guardiões de um código ético — o Bushidô, o “caminho do guerreiro”, onde a honra, a disciplina, a lealdade e o autodomínio valiam mais do que a própria vida. Servir era o centro da sua existência; servir com dignidade, mesmo quando ninguém aplaudia.

Mas há um detalhe decisivo: muitos samurais foram também mestres. Miyamoto Musashi ensinava que a excelência nasce da persistência, “mil dias para forjar, dez mil para........

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