Educar um país que ainda não aprendeu a reconhecer-se: Balanço Anual da Educação 2026
Há uma estranha sensação de déjà vu quando se fala de educação em Portugal: uma mistura simultânea de orgulho e inquietação, de conquista e incompletude. Como se o País tivesse finalmente chegado ao destino, mas descobrisse, no momento da chegada, que a viagem ainda mal começou.
O debate em torno do Balanço Anual da Educação 2026, (ver vídeo de 3h – https://www.youtube.com/live/ePrxud6M-i0?si=2bmLeq8Z3DQsHALt), promovido pela Fundação Belmiro de Azevedo, devolveu-nos esse espelho incómodo: um sistema que evoluiu como nunca, mas que continua, no essencial, por cumprir-se. Portugal conseguiu, em poucas décadas, uma transformação estrutural notável. Hoje, cerca de 43% dos jovens adultos têm ensino superior completo, um salto histórico que colocou o País entre os mais qualificados da Europa. O acesso democratizou-se. A escola abriu-se. O País qualificou-se.
Mas há sempre um “mas”. E é nesse “mas” que a educação portuguesa verdadeiramente se revela. O problema já não é entrar na escola. É o que acontece lá dentro.
O relatório — e o debate que o acompanhou — são claros: as desigualdades não desapareceram, deslocaram-se. Já não se manifestam sobretudo no acesso, mas nos percursos, nos resultados e nas expetativas de cada aluno. A escola portuguesa tornou-se inclusiva na entrada, mas continua desigual na saída. O sistema já não exclui de forma explícita; diferencia de forma silenciosa.
É neste ponto que a realidade das salas de aula se torna decisiva. A escola portuguesa transformou-se profundamente — e talvez........
