Quando foi a última vez que parou para se ouvir? O exercício simples, proposto por uma enfermeira, que pode fazer toda a diferença
Há pessoas com quem falamos todos os dias. Sabemos como estão, o que as preocupa, o que desejam e até conseguimos perceber, pelo tom de voz, quando alguma coisa não está bem.
Mas existe alguém com quem passamos absolutamente todos os dias da nossa vida e a quem, curiosamente, podemos passar semanas sem fazer uma única pergunta: nós próprios.
Vivemos rodeados de estímulos. Acordamos e, muitas vezes, antes de percebermos como estamos, já olhámos para o telemóvel. Entramos na sucessão de tarefas, mensagens, compromissos, trabalho e responsabilidades e chegamos ao final do dia com a sensação de termos pensado em muitas coisas — sem termos verdadeiramente pensado sobre nós.
Talvez por isso me interesse tanto uma prática aparentemente tão simples: escrever.
Nos últimos anos popularizou-se a palavra journaling. Apesar do nome moderno, a ideia está longe de ser nova. Na sua essência, significa reservar intencionalmente algum tempo para colocar por escrito pensamentos, emoções, experiências, perguntas ou reflexões.
Não é necessário escrever bem. Não é preciso ter um diário bonito. E, sobretudo, não é necessário saber previamente o que queremos dizer. Por vezes, escrevemos precisamente para descobrir.
Quando o pensamento ganha forma
Há uma diferença interessante entre pensar sobre um problema e escrever sobre ele.
Na nossa cabeça, os pensamentos podem surgir de forma rápida, repetitiva e desorganizada. Uma preocupação leva a outra, antecipamos cenários, regressamos ao mesmo assunto e, por vezes, temos a sensação de estar a pensar muito quando, na realidade, estamos apenas a percorrer repetidamente o mesmo circuito mental.
A escrita obriga-nos a abrandar.
Para transformar uma........
