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Opinião | Todos odeiam a Europa?

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28.02.2026

Na Cimeira de Segurança de Munique, Volodymyr Zelenskyy estranhava que a União Europeia não estivesse à mesa das negociações quando o conflito em causa se desenrola no seu próprio continente. A observação não é nova, mas continua a ser dolorosa de ouvir. E levanta ondas. Ondas de choque sobre a inoperância europeia. Ou, talvez mais inquietante, sobre a sua decadência.

Ponho o dedo no ar: todos já criticámos a União Europeia. Eu incluída. Há razões para isso. A complexidade burocrática. A opacidade de certos processos. A perceção de distância entre instituições e cidadãos. Muitas vezes desdenhamos dessas imperfeições como se fossem prova de inutilidade. Como se o que é imperfeito fosse dispensável.

Mas talvez o problema esteja noutro lugar. Vivemos — e, no meu caso, nasci — com a União Europeia como um dado adquirido. Como algo garantido. E quando algo parece garantido, deixa de ser valorizado.

A questão é simples, embora incómoda: se a Europa está fraca, isso significa que o projeto europeu deixou de ser positivo? Ou significa apenas que precisa de ser reforçado?

Criticar a Europa raramente vem acompanhado de uma proposta concreta para inverter o alegado declínio. Protesta-se. Aponta-se o dedo. Mas qual é a alternativa?

Viver como nas monarquias do Golfo, onde o poder político é exercido por uma elite hereditária e onde a crítica pode custar a liberdade?

Viver como na China, um modelo alternativo ao ocidental que retirou milhões da pobreza e alcançou crescimentos económicos recorde, mas onde o regime é exclusivo do Partido Comunista e a sociedade vive sob um controlo apertado ?

Ou aproximarmo-nos do modelo russo, onde a coerção é uma presença constante e a dissidência tem preço?

O que Adolfo Mesquita Nunes nos lembra é desconfortável e verdadeiro: habituámo-nos a viver em liberdade. E, por isso mesmo, deixámos de a valorizar. Quando vemos protestos, crises políticas, oposição ruidosa, debates intensos, escândalos escrutinados — tudo isso pode parecer desordem. Mas é, muitas vezes, o barulho da democracia a funcionar.

Convém não esquecer o essencial. Somos um bloco com cerca de 440 milhões de consumidores. O euro é a segunda moeda mais utilizada no mundo. Lideramos setores estratégicos, do farmacêutico à transição energética. Temos Estado de direito. Temos imprensa livre. Temos alternância de poder.

A Europa está fraca? Talvez.

Mas fraca em comparação com quê?

Antes de decretarmos o seu falhanço, vale a pena responder à pergunta que realmente importa: que alternativa queremos?

Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.


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