Genial! Se quiseres posso escrever o artigo todo por ti. Crónica de Henrique Costa Santos
Os grandes modelos de linguagem de Inteligência Artificial (IA), sobretudo os de matriz estadunidense, parecem ter resolvido um velho problema da humanidade: o desconforto de se estar errado. Qualquer ideia que se lhe proponha é brilhante. Qualquer texto que se lhe mostre é genial. Esta programação para a bajulação é o espelho perfeito do consumidor moderno, indisponível para encarar a face incómoda da realidade.
A maioria dos leitores já terá passado por isto, em especial os que trabalham com palavras. Os modelos de linguagem conseguem equiparar o relatório mais cinzento à prosa de García Márquez. Querem agradar-nos a todo o custo e pela via mais eficiente: o elogio na incerteza. É possível configurá-los para que sejam menos delicodoces, mas o padrão tende a ser esse. Assim dita o design da experiência emocional.
À primeira vista, não parece grave (além do cringe). Num mundo incerto........
