Sintra é o ensaio. Washington já é o poder. Opinião de Gonçalo Ribeiro Telles
Em Sintra, um grupo de mulheres reuniu-se para dizer que a sua fé e a sua ideia de família mereciam um espaço político próprio. Em Washington, uma parte dessa mesma gramática política já não precisa de pedir espaço a ninguém. Ocupa um gabinete na Casa Branca, orçamento federal e uma comissão presidencial a trabalhar nisso.
É essa a diferença de escala que separa um fenómeno político ainda embrionário de um projeto de Estado. E é por isso que vale a pena olhar para o que já aconteceu do outro lado do Atlântico antes de decidirmos que o que nasceu no Palácio Valenças é apenas um episódio de folclore político nacional.
O ponto não é dizer que Sintra é Washington. Não é. É perceber como determinadas ideias passam da margem para o centro e para o sistema. Primeiro, como identidade, depois como movimento, finalmente como política pública.
A Administração Trump criou um “Escritório de Fé” dentro da Casa Branca, ocupado por evangélicos como Paula White, com ligação direta ao poder executivo. Criou também uma comissão presidencial para a liberdade religiosa e a sua missão declarada não é vaga nem diplomática. Passa por rever e, sendo possível, reverter a separação........
