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Imigração e a doença iliberal portuguesa. Opinião de Gonçalo Ribeiro Telles

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09.07.2026

Os novos dados demográficos divulgados pelo INE duraram pouco mais do que um ciclo noticioso. Em poucas horas deixaram de ser uma notícia económica para se transformarem em munição política. Antes sequer de se perceber o verdadeiro alcance da revisão estatística, a sentença já estava escrita: Portugal afinal não tinha convergido tanto quanto se pensava com as economias mais desenvolvidas e a culpa era, uma vez mais, da imigração.

A rapidez com que esta narrativa se instalou ficou bem ilustrada pela conferência de imprensa conduzida por Sebastião Bugalho, enquanto porta-voz do PSD, procurando transformar uma revisão estatística numa acusação política aos anteriores governos socialistas.

Comecemos, por isso, pelos factos. A revisão do cálculo da população residente afeta o PIB per capita e obriga a recalibrar a leitura da convergência económica portuguesa. Mas não altera um dado essencial: entre 2015 e 2025, Portugal aproximou-se das economias mais desenvolvidas. A intensidade dessa convergência poderá revelar-se inferior ao que se estimava, até porque falta ainda rever o próprio PIB. Mas a convergência continua a existir. Mudou a aritmética. Não mudou a realidade. Ainda assim, bastou uma revisão estatística para regressar uma velha tentação portuguesa: transformar a imigração na explicação universal para quase tudo.

Habitação. Salários. Segurança. Identidade nacional. Crescimento económico. Quando um único fenómeno serve para explicar simultaneamente os problemas estruturais do País e quase todas as falhas da governação, já não estamos perante uma análise equilibrada.........

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