A política da espuma. Opinião de Gonçalo Ribeiro Telles
“O passado já não ilumina o futuro; o espírito caminha nas trevas.” A frase de Alexis de Tocqueville ajuda a explicar muito da política portuguesa nos dias que correm. Já não se governa com horizonte. Governa-se sobretudo em função da reação, da perceção e da repercussão da hora seguinte.
Já o escrevi uma vez, mas vale a pena insistir. Em maio de 2025, André Ventura e o Chega alcançaram uma maioria absoluta encapotada no debate público. Durante semanas, repetiu-se que Portugal tinha virado definitivamente à direita e que continuaria inevitavelmente nesse caminho. Ao mesmo tempo, a narrativa das alegadas “portas escancaradas” na imigração transformou-se numa verdade adquirida para demasiados comentadores, jornalistas e decisores políticos. O problema não foi apenas terem-se enganado. Foi a velocidade com que tantos transformaram perceções em factos e estados de alma em........
