Um regresso passo a Passos
Naquela que foi apresentada como a primeira entrevista desde que deixou o cargo de primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho sintetizou, na SIC Notícias, o pensamento que, de forma fragmentada e dispersa, vem partilhando, com os portugueses, em múltiplas intervenções, escritos, conferências e palestras por esse país fora. E entre outros aspetos de que se falará adiante, o apanhado que fez resume-se em três mensagens breves: primeira, o País precisa de reformas que não estão a ser feitas; segunda, essas reformas dependem de um acordo à direita que, apesar da maioria parlamentar desta área política, nunca foi firmado; terceira, ele, Passos Coelho, admite voltar à política ativa, caso a governação da AD “não obtenha sucesso”.
A entrevista, e o seu contexto formam uma peça de filigrana política que pode ser abordada de diversos ângulos, mesmo sem a “lupa de ourives” da análise política mais fina: a entrevista foi preparada em ambiente controlado, com ecossistema favorável e à prova de surpresas, concedida a Maria João Avillez, uma entrevistadora da área política do entrevistado (que sempre assumiu simpatias por ele) e que já tinha conseguido, de Luís Montenegro, talvez a única conversa que o atual primeiro-ministro teve com uma televisão. Ao mesmo tempo, a entrevista era dada a uma decana respeitada do jornalismo português, e talvez uma das melhores entrevistadoras profissionais das últimas décadas, habituada a lidar com políticos seniores e outros “senadores”. Diga-se, neste ponto, que a entrevista foi muito menos “fofinha” do que aquela, já aludida, ao atual primeiro-ministro. Foi uma boa entrevista que, de uma forma genérica, confrontou Passos Coelho com alguns dos pontos principais que urge explorar. No fundo, com um ponto principal: afinal, ao que vem o ex-primeiro-ministro, com este crescendo de intervenção pública, política ou cívica – como se lhe queira chamar?
O próprio entrevistado não desiludiu. Quase nunca fugiu às perguntas e até se esticou em respostas........
