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Os presos políticos da Revolução de Abril

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09.04.2026

Num discurso disruptivo, durante a sessão solene, no Parlamento, para a comemoração dos 50 anos da Constituição, o deputado André Ventura afirmou que, no pós-25 de Abril, a revolução fez mais presos políticos do que aqueles que existiam à data do golpe dos capitães. Antes de mais, na verificação dos factos (que faremos já a seguir), não será correto aplicar critérios unicamente quantitativos. Ou seja, bastará haver apenas um preso político e já será grave.

Em primeiro lugar, é preciso afastar preconceitos e reconhecer que André Ventura, ao contrário do que muitas vezes acontece na sua narrativa dos “50 anos de corrupção”, não falou de cor. Os seus argumentos têm uma base documental apoiada em números (não tratados…) que, depois, retorceu, para que fossem adaptados ao seu ponto de vista. Mas devemos levá-lo a sério, para perceber o que pretende dizer na sua ideia. Possivelmente, o discurso do líder do Chega ter-se-á apoiado em elementos históricos fornecidos pela leitura, ou mesmo, pelas dicas, de um prestigiado académico, que algumas vezes tem funcionado como uma espécie de consultor informal de André Ventura. Trata-se do investigador de origem italiana, radicado em Portugal, Riccardo Marchi. Com efeito, no seu livro de 2020, À Direita da Revolução, publicado pela D. Quixote, ele demonstra, com profusão de documentos, relatos e exemplos, como funcionaram as autoridades do PREC, durante o breve período revolucionário. E fala de centenas de detidos. Numa conversa que mantive, há uns anos, por correio eletrónico, com este académico, Marchi reconhecia que as detenções que ocorreram no 28 de Setembro de 1974 e no 11 de Março de 1975 duraram, quando muito, um ano e meio. Mais, recorda que os radicais de direita que ficaram na prisão mais do que alguns meses foram muito poucos. Estas evidências resultam nas primeiras fragilidades da argumentação de Ventura. Mas o académico justifica as comparações quantitativas que faz, no........

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