O referendo suíço e o Mundial dos migrantes. Opinião de Filipe Luís
1. Já sabíamos que a Suíça faz referendos para um pouco de tudo. Mas um dos mais bizarros, decorrido esta semana, perguntava aos eleitores se queriam limitar a população a dez milhões de habitantes, impedindo, portanto, o seu crescimento. A proposta surgiu do SVP, partido de extrema-direita, e o mais inquietante é que a ideia foi recusada por “apenas” 54% do eleitorado… É que esta eventual lei, pensada para limitar a imigração ou, no limite, expulsar pessoas do país, implicaria, nas suas consequências totais, que a capacidade de se ter filhos ficaria condicionada ao número de óbitos… Uma ideia eugénica que Adolf Hitler e os destrambelhados “cientistas” do Terceiro Reich não desdenhariam…
Acontece que a Suíça, que está, mais uma vez, presente no Mundial de Futebol, com uma competitiva seleção, é constituída, em dois terços do seu plantel, por jogadores filhos de imigrantes (e alguns nascidos fora da Suíça, o que, como veremos, é uma situação comum a 40 das 48 seleções presentes). Uma das grandes estrelas, um histórico já em declínio e, portanto, não convocado, é o ex-avançado do Liverpool Xherdan Shaqiri, nascido no Kosovo, e o jogador helvético mais conhecido depois das estrelas de outro tempo, essas, sim, suíças “de gema”, Stéphane Chapuisat e Alain Sutter. Já agora, do atual plantel fazem parte craques como o médio Granit Xhaka, filho de pais albaneses; os avançados Embolo, nascido nos Camarões, Amdouni, de raízes tunisinas e turcas, e Ndoye, de família senegalesa; ou os defesas Akanji, filho de pais nigerianos, e Rodriguez, filho de pai espanhol e mãe chilena. A Suíça é um mosaico de línguas e idiomas oficiais (o alemão, o francês, o italiano e o autóctone romanche, residualmente falado no cantão dos Grisões), mas também se tornou um mosaico cosmopolita de gente de todas as origens, que vive em harmonia correspondente ao país da precisão relojoeira (incluindo milhares de emigrantes........
