José Sócrates, a alma gémea de André Ventura. Opinião de Filipe Luís
Numa das mais curiosas entrevistas de André Ventura, neste período de campanha para as eleições presidenciais, Vítor Gonçalves, diretor de informação da RTP e autor do programa Grande Entrevista, confrontou o candidato presidencial com a associação de três dos detidos na Operação Irmandade (em que a PJ visou o grupo neonazi 1143) ao partido Chega. Pelo menos, dois dos detidos, além de apelarem reiteradamente ao voto no Chega – o que, em si, não tem mal nenhum, eles identificam o partido de André Ventura como aquele que está mais próximo das ideias extremistas, o que é diferente de dizer que o Chega defende ideias neonazis… –, exerceram funções de responsabilidade no Chega, nomeadamente, ao nível das suas estruturas locais. Perguntado se os conhecia, André Ventura disse que não, e, à partida, num partido já desta dimensão, é muito natural que não os conhecesse. Mesmo assim, há o registo de fotos de Ventura com, pelo menos, um dos detidos, em poses sorridentes e cúmplices. O que também não prova nada: Ventura, imitando o estilo Marcelo, tira selfies com meio mundo, nas suas iniciativas, por esse País fora.
Ou seja: até aqui, não temos nada que apontar a André Ventura ou ao Chega, no que diz respeito a supostas ligações com aquela organização prototerrorista. Mas temos a apontar-lhe a falta de respostas claras e a incomodidade com as perguntas. O líder do Chega, recusando enfrentar o tema, argumentou que, numa entrevista a um candidato presidencial, as perguntas eram descabidas: ele estava ali, não como líder de um partido, mas como candidato ao cargo de Presidente; e que, portanto, só deveria falar dos problemas do País e das suas próprias propostas para o exercício do cargo. Ora, a Presidência da República é um órgão de soberania unipessoal. Quem se candidata ao cargo deve ser minuciosa e pessoalmente escrutinado; e estas perguntas........
