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Como o Chega está a "segurar" Luís Neves

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03.09.2026

Na segunda-feira, dia 31 de agosto, ao final da tarde, André Ventura adiava a decisão sobre o eventual avanço de uma moção de censura ao Governo para o dia seguinte, 1 de setembro, depois de reunir com dirigentes do Chega e de falar ao telefone com o PR. Independentemente do resultado ou do simulacro de consulta interna, porque todos sabemos que Ventura faria sempre o que bem entendesse, uma moção de censura, baseada num ultimato para a demissão de um ministro, será sempre o melhor seguro de vida política que esse ministro poderá ganhar. O Chega tinha exigido que Luís Neves, ministro da Administração Interna, se demitisse (ou fosse demitido). Se não, o quê? Se não, a moção de censura avançava mesmo. Andou bem Luís Montenegro, ao ignorar completamente o desafio, no encerramento da Universidade de Verão do PSD. A melhor forma de desvalorizar uma iniciativa como esta é barrá-la com indiferença. Para mais, Montenegro não tinha de estar preocupado: se a moção avançasse – e, como dizemos, à hora a que escrevemos não sabemos se avança mesmo –, muito provavelmente, o Chega seria a única força política do Parlamento a votar favoravelmente a sua própria moção. Não seria com isto que teríamos crise política. Não é por aqui que o Governo cai.

Ora, com isto, pelo contrário, e mesmo que a moção tenha sido abortada, o Chega reforçou a posição do ministro no Governo e afastou qualquer demissão, nos próximos tempos, a não ser que ela decorra de processos e investigações em curso. É que nenhum primeiro-ministro, no seu perfeito juízo, pode, jamais, ceder a um ultimato da oposição para demitir ministros. Nem pode ser permeável a qualquer chantagem nesse sentido. Se não, agora era o MAI, amanhã a ministra da Saúde, depois o ministro da Educação, e assim sucessivamente. Depois disto, mesmo que passasse pela cabeça de Montenegro demitir o ministro, nos........

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