Prémio Laranja Amarga para um semestre de Governo a afundar-se no seu beco
Este foi um semestre mau para os portugueses e muito infeliz para o Governo. Falhou duas vezes, chegando tarde quando deveria mostrar iniciativa, primeiro na resposta às tempestades de inverno e, a seguir, tentando assobiar para o lado com apoios mínimos na resposta à crise energética causada pela guerra no Golfo Pérsico.
O padrão foi similar. Resposta tardia e descoordenada, muita propaganda e tentativa de ver se o tempo e a memória curta dos povos, sobretudo em tempos de permanente excitação nas redes sociais e nos canais de notícias, tiravam rapidamente da agenda as tormentas, com o impacto orçamental mínimo e danos políticos limitados.
Ao fim de cinco meses estão ainda por decidir milhares de apoios à recuperação de casas em Leiria, que Castro Almeida disse seriam dados em três dias. Os apoios à explosão dos preços dos combustíveis foram descontos medidos ao milímetro, enquanto o Governo beneficiava das receitas de IVA impulsionadas pela inflação. Agora, que os preços do petróleo nos mercados internacionais voltaram aos níveis anteriores ao ataque americano de fevereiro, em Portugal a gasolina e o gasóleo estão ainda 15 a 20 cêntimos mais caros do que nessa altura.
O crescimento económico vai continuar a abrandar, parece garantido o regresso do défice orçamental e o PRR está marcado pela ameaça de devolução de verbas por autarquias e entidades do setor social, e múltiplas obras em risco com vagas promessas de financiamento alternativo para serem concluídas.
Pelo meio, o Governo aprofundou a preferência pela aliança com o Chega, pela qual Rosário Palma Ramalho suspirou mesmo quando o PS a salvou na PSU da segunda humilhação numa semana, e colecionou chumbos no Tribunal Constitucional em matéria de política de imigração alinhada com os valores dos populistas de Ventura.
O fracasso da reforma laboral foi o culminar da caminhada do Governo para o seu beco por entre a teoria, rejeitada nas eleições presidenciais, da equivalência como parceiros entre o PS e o Chega e o mergulho do PSD para o terceiro lugar nas sondagens.
Agora que desapareceu a........
