"Já não se pode dizer nada! - diz outra vez o homem branco de meia idade que pode dizer tudo
Se calhar ainda não repararam, mas já de há uns anos para cá que é proibido que o sistema mediático português passe mais de 2 semanas sem uma crónica de um homem branco de meia idade sobre “já não se poder dizer nada”. É um tema absolutamente fraturante e que lhes tira mais noites de sono, naturalmente, do que as alterações climáticas, a transfobia ou o preço do azeite.
As palavras que eles, em particular, supostamente já não podem dizer (por ordens e proibições que só existem na sua cabeça). Ou melhor, o sofrimento atroz que lhes causa que um bando de idiotas (nos quais me incluo, peço imensa desculpa, não queria incomodar, mas tenho de o assumir), ache que, por exemplo, usar “paneleiro” como insulto ou adjetivo (???) é assim, digamos que, bastante degradante para qualquer homossexual, e por isso devemos evitá-lo.
Li a crónica do Rodrigo Guedes de Carvalho no Expresso sobre o tema. Diz que as palavras não têm alma, nós é que a lhes emprestamos, e que, por exemplo a N word (que ele claro que opta por escrever por extenso,........
