Prémios de mérito: Entre o direito ao reconhecimento e a exclusão. Opinião de uma professora
No final de cada ano letivo, repetem-se o anúncio dos distinguidos, os aplausos, as fotografias e os diplomas. As escolas celebram os melhores resultados, os desempenhos de excelência e os percursos considerados exemplares. A intenção parece indiscutivelmente positiva: reconhecer o esforço, incentivar o sucesso e valorizar quem se distingue.
Mas, numa escola que se afirma inclusiva, importa fazer uma pergunta incómoda: o que estamos realmente a premiar?
Quando distinguimos publicamente determinados alunos, não estamos apenas a reconhecer resultados. Estamos também a construir uma hierarquia de capacidades, competências e perfis. Estamos a mostrar quem corresponde à imagem de sucesso valorizada pela escola e, inevitavelmente, quem fica fora dela.
O problema não está no aplauso. Está na régua.
Se os quadros de mérito ou excelência se baseiam sobretudo em classificações elevadas, médias padronizadas, ausência de dificuldades ou desempenhos semelhantes, acabam por premiar quem melhor responde a um modelo único de aluno. Ignoram os diferentes pontos de partida, as barreiras enfrentadas, os apoios necessários e o esforço realizado para alcançar progressos que podem não caber num diploma tradicional.
Há uma excelência que os próprios quadros de excelência continuam a não reconhecer. É a excelência de quem conquista uma palavra, comunica pela primeira vez uma necessidade, dá um passo com maior segurança, desenvolve autonomia numa tarefa diária ou consegue participar num contexto que antes lhe era inacessível. Podem parecer pequenos progressos a quem os observa de fora, mas representam conquistas imensas para quem teve de vencer barreiras físicas, comunicacionais, cognitivas, emocionais ou sociais.
Apesar disso, estes alunos raramente são contemplados pelos mesmos prémios atribuídos aos colegas. Quando o seu esforço é reconhecido, são frequentemente remetidos para quadros paralelos de “superação”, “valor” ou “reconhecimento”, como se a sua excelência pertencesse a uma categoria diferente — e, silenciosamente, menor. Mantém-se, assim, uma........
