Se a nossa geração está perdida, quem nos perdeu?
Se a nossa geração está perdida, quem nos perdeu?
Se a minha geração está perdida, quem é que nos perdeu?
É uma pergunta incómoda e, precisamente por isso, quase nunca a fazemos. É muito mais fácil dizer que os jovens não têm valores, não sabem trabalhar, não sabem comunicar, não têm capacidade de concentração, são frágeis, vivem agarrados aos telemóveis e não sabem o que querem da vida. É muito mais confortável dizer que uma geração está perdida do que perguntar que sociedade a educou.
Aparentemente, chegámos todos ao mundo já estragados. É curioso. Porque uma geração não se educa sozinha.
Crescemos nas escolas, em casa, nas redes sociais, nas instituições, nas conversas que ouvimos e nos comportamentos que observamos. Não somos moldados apenas por aquilo que nos dizem, mas também por aquilo que vemos fazer. Culpar os jovens sem olhar para o mundo que lhes foi entregue é, no mínimo, conveniente.
Não inventámos o mundo em que crescemos e, no entanto, somos frequentemente tratados como se tivéssemos de o corrigir inteiro.
Quantas vezes ouvimos que somos “a geração do futuro”?
Que expressão bonita… e que forma conveniente de nos entregar a responsabilidade de amanhã enquanto nos retiram espaço para decidir hoje.
Somos o futuro quando é preciso falar de sustentabilidade, democracia, inovação, tecnologia ou cidadania. Somos demasiado novos quando queremos participar. Somos o futuro quando nos pedem para salvar o mundo e somos crianças quando questionamos a forma como ele está a ser governado.
Nós já estamos aqui. Somos os jovens adultos de........
