O problema das mulheres difíceis (difícil para quem?)
É a primeira pergunta que deveria ser feita antes de chamar difícil a uma mulher. Para quem não consegue convencê-la a aceitar menos do que procura? Para quem se habituou a ter lugar garantido na vida dela? Para quem confunde a sua disponibilidade com uma obrigação e a sua tolerância com um direito adquirido?
Chamam-lhe arrogante quando conhece o seu valor, fria quando estabelece limites, calculista quando faz planos e difícil quando deixa de organizar a vida em função das expectativas alheias. Há uma estranha liberdade na forma como as mulheres são julgadas: podem reconhecer-lhes todas as qualidades, desde que nenhuma delas se torne inconveniente para quem as observa.
Um homem que sabe o que quer é ambicioso. Uma mulher que sabe o que quer precisa de aprender a ser mais humilde. Ele tem personalidade; ela tem mau feitio. Ele sabe impor-se; ela é intimidante. Quando já não há maneira de contestar aquilo que conseguiu, resta questionar a maneira como o conseguiu. Não é curioso que a competência de uma mulher pareça precisar de tanta aprovação, mesmo quando os resultados falam por si?
A sociedade diz admirar mulheres independentes, até ao momento em que essa independência produz consequências. Quando uma mulher recusa uma relação, rejeita uma oportunidade ou deixa de organizar a vida em função dos outros, a admiração pode transformar-se em censura. É mais confortável sentir-se indispensável do que descobrir que a própria presença é desejada, mas não necessária. Às vezes, uma mulher simplesmente não escolhe ficar. E essa possibilidade, por banal que seja, continua a ser difícil de aceitar.
A contradição torna-se ainda mais evidente quando as mulheres chegam a posições de liderança. Exige-se-lhes competência, autoridade e capacidade de decisão, mas continua a avaliar-se a sua simpatia, o seu tom de voz e a maneira como fazem os outros sentir-se. Um homem que impõe respeito pode ser considerado um líder nato; uma........
