menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Banco de jardim, por Carlos Cupeto

32 0
07.06.2026

Atravessamos as vilas e cidades como quem atravessa um corredor entre compromissos, sem viver. Daqui para ali, muitas vezes a correr. Corremos para o trabalho, para a reunião, para o consumo, para o próximo ecrã. E nesse movimento contínuo, quase industrial, deixamos para trás aquilo que verdadeiramente sustenta a vida: o respirar, o sentir, o reparar.

Perdemos a lenta aprendizagem do tempo. Perdemos a disponibilidade para escutar e viver o lugar. Talvez por isso um banco de jardim seja hoje um objeto quase subversivo.

À primeira vista, parece pouco. Madeira, ferro, parafusos, alguma tinta já gasta pelo sol e pela chuva. Um artefacto banal da paisagem urbana, que nalgumas cidades, como Paris, é retirado intencionalmente para que os pobres não possam permanecer e chocar os turistas. Contudo, como escreveu José Tolentino Mendonça, um banco de jardim ajuda-nos a reorganizar não apenas o visível, mas também o nosso modo de ver.........

© Visão