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Quando casais que já se separaram continuam a viver juntos porque o crédito os mantém presos à mesma casa

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19.10.2026

O debate público sobre o crédito à habitação tem sido hegemonizado por uma abordagem fixada em números: a Euribor, a escassez da oferta, o preço por metro quadrado. Existe, porém, uma outra dimensão que requer uma diferente abordagem – mais clara, direta e humanizada -, que a sociedade sente, mas que esses números não captam: o impacto direto no seio das famílias quando o crédito sobrevive ao casamento. 

A taxa de esforço é tecnicamente definida como a percentagem do rendimento mensal líquido de um determinado agregado familiar afeta ao pagamento de prestações de créditos.  

Ora, idealmente, este deveria ser um indicador de segurança. Na prática, porém, assiste-se ao cálculo de taxas de esforço já no limite máximo do conforto financeiro, eliminando qualquer margem de manobra das famílias portuguesas para enfrentar os – naturais – imprevistos da vida. O próprio Banco de Portugal reconheceu o risco: em agosto de 2026, baixou a taxa de esforço recomendada de 50% para 45%, um sinal institucional de que a margem de segurança das famílias portuguesas se tinha tornado perigosamente estreita.  

Transitando para a prática........

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