Quanto mais inteligentes as máquinas, mais precisamos dos professores
Desde a invenção da Imprensa que cada grande inovação tecnológica é acompanhada por previsões sobre o futuro da educação. A rádio, a televisão, os computadores, a internet e as plataformas digitais foram sucessivamente apresentados como instrumentos capazes de revolucionar a aprendizagem e, em alguns casos, de tornar menos necessária a presença dos professores.
A emergência da Inteligência Artificial reativou essas expectativas. Pela primeira vez, dispomos de sistemas capazes de produzir textos coerentes, responder a perguntas complexas, sintetizar informação, traduzir documentos, elaborar relatórios ou gerar imagens de grande sofisticação. Muitas das tarefas intelectuais que durante séculos associámos exclusivamente aos seres humanos passaram a poder ser realizadas por máquinas.
Perante esta transformação, a pergunta surge quase inevitavelmente: continuaremos a precisar dos professores?
A questão é legítima. Mas talvez revele uma compreensão demasiado limitada daquilo que significa educar.
Se a função principal dos professores fosse apenas transmitir informação, então os livros teriam tornado a sua presença dispensável. Se consistisse apenas em disponibilizar conhecimentos, as bibliotecas e, mais tarde, a internet teriam substituído as escolas. E se ensinar significasse simplesmente fornecer respostas corretas, a IA poderia efetivamente assumir uma parte substancial desse trabalho.
Mas a educação nunca foi apenas isso.
A tendência para reduzir a educação à transmissão de conteúdos ou ao desenvolvimento de competências mensuráveis tornou-se particularmente forte nas últimas décadas. Os sistemas educativos passaram a ser avaliados através de indicadores de desempenho, resultados comparáveis e metas de aprendizagem. Embora esses instrumentos tenham........
