O mundo governado por velhos homens
Se olharmos para o poder global com alguma atenção, há um padrão que se torna impossível de ignorar. Não aparece nas fotografias oficiais das cimeiras internacionais, nem nas análises económicas ou militares, mas está lá, evidente para quem quiser ver: o mundo continua a ser governado, em grande medida, por homens da mesma geração.
Homens que hoje têm setenta anos, por vezes quase oitenta. Homens que começaram a fazer política há décadas, quando o mundo era outro, quando a Guerra Fria ainda moldava as alianças internacionais e quando muitos dos desafios que hoje dominam a agenda global simplesmente não existiam.
Chamamos a isto patriarcado. E é, sem dúvida. Mas talvez seja também algo mais específico: um patriarcado envelhecido.
A política mundial continua a ser dominada por líderes masculinos pertencentes à mesma geração política, formados nas mesmas estruturas de poder e moldados por uma visão geopolítica que nasceu no século XX. Basta olhar para as idades de alguns dos líderes mais influentes do planeta: 78 anos, 72 anos, 71 anos, 69 anos. Em vários casos, são homens que chegaram ao poder depois de carreiras políticas de quarenta ou cinquenta anos e que governam países onde a idade média da população é inferior a quarenta anos.
Este detalhe raramente entra na discussão pública, mas talvez devesse.
Porque a forma como o mundo é governado continua, em muitos aspetos, a refletir as prioridades e os modelos mentais de........
