A arte, a técnica e a objetividade no futebol
Cronista esportivo, participou como jogador das Copas de 1966 e 1970. É formado em medicina
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A arte, a técnica e a objetividade no futebol
Melhores meio-campistas, além de darem bons passes, também não perdem a bola
Muitas vezes se confunde jogar bem com jogar bonito
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Está muito confusa a realização de dois campeonatos ao mesmo tempo, os estaduais e o Brasileirão. Isso piora a qualidade das partidas e a evolução das equipes, que mudam a escalação a cada jogo. Agora vai ficar pior devido aos jogos decisivos dos principais times pelos estaduais.
Em Minas Gerais, o Cruzeiro, bastante criticado no início, melhorou na última partida, com Gerson atuando pela esquerda, onde joga melhor do que pela direita ou pelo centro. Prefiro também Lucas Silva ao lado de Lucas Romero. Os dois se entendem muito bem, com Romero mais atrás e Lucas um pouco mais adiantado. Lucas Silva nunca foi um jogador excepcional, mas raramente erra um passe, pois faz as escolhas certas. Os melhores meio-campistas não são apenas os que dão passes para gols, mas os que também não perdem a bola.
O Atlético Mineiro goleou o Itabirito por 7 x 2 com três gols de Hulk. Os jogadores deviam estar cansados de Sampaoli. Um treinador que deixa Scarpa na reserva de Bernardo teria de ser dispensado.
Sempre que um time ganha e joga mal, dizem que teve objetividade. Quando joga bem e perde, não teve objetividade. Muitas vezes confundem jogar bem com jogar bonito. O Barcelona, depois das derrotas por 4 x 0 para o Atlético de Madrid e 2 x 1 para o Girona, tem sido criticado por falta de objetividade.
Os jogos do Barcelona são sempre deliciosos de ver, pois o time cria e sofre um grande número de chances de gols. As partidas estão sempre perto de uma goleada, a favor ou contra o Barcelona. Isso ocorre porque o time catalão joga com os defensores no meio-campo, além de terem pouca qualidade para o nível técnico do Barcelona. Mais que isso, para jogar com a defesa tão adiantada é preciso pressionar e recuperar rapidamente a bola, para não deixar o adversário se organizar, trocar passes e contra-atacar com lançamentos nas costas dos defensores.
A objetividade é uma das palavras mais ditas no futebol. Na Copa do Mundo de 1966, o Brasil, bicampeão do mundo, foi eliminado na primeira fase. Analistas brasileiros e estrangeiros, encantados com a correria dos ingleses e europeus, diziam que era o fim do futebol-arte, bonito, lúdico e o início de um novo tempo, o da disciplina tática, velocidade e objetividade.
Nelson Rodrigues chamou esses analistas de idiotas da objetividade. Quatro anos depois, na Copa de 1970, no México, o Brasil encantou o mundo com a união do futebol-arte, técnico, bonito, equilibrado e objetivo.
Os grandes craques são os que unem, em variadas proporções, a habilidade, a técnica, a inventividade, a ousadia, ótimas condições físicas e emocionais e objetividade. Pelé não perdia tempo. Em uma fração de segundos, com poucos movimentos e espetaculares ações, recebia a bola e fazia o gol. Lionel Messi seguiu o mesmo caminho, embora não seja tão completo como Pelé.
Kaká, Rivaldo e outros se destacavam pela técnica, pela praticidade e pela objetividade. Faltava aos dois a fantasia. Ronaldinho Gaúcho e Maradona, grandes artistas da bola, uniam a beleza e a fantasia com a objetividade.
Os efeitos especiais eram os adornos que iluminavam os seus talentos.
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