Com alta do petróleo, viajar de avião deve ficar mais caro
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A alta na cotação do petróleo após o início dos ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã deve pressionar os preços das passagens aéreas no curto prazo. O barril chegou perto de US$ 120 (R$ 626, na cotação atual), o maior valor desde abril de 2022, período inicial da guerra na Ucrânia.
Na primeira semana desta nova escalada do conflito, a cotação acumulou alta de 27%. As incertezas sobre a extensão da guerra ainda dificultam prever qual será o cenário nos próximos dias.
No Brasil, cerca de 40% dos custos das empresas aéreas estão ligados ao QAV (querosene de aviação), segundo a Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas). Isso faz com que o preço das passagens seja fortemente influenciado por variações no dólar e na cotação internacional do petróleo, como vem ocorrendo nos últimos dias.
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Antes do início do conflito, a Petrobras já havia anunciado um aumento de R$ 0,31 no preço de venda do litro do QAV para as distribuidoras. A alta foi de 9,4% e passou a vigorar em 1º de março. Com isso, o valor subiu de R$ 3,32 no começo de fevereiro para R$ 3,63 no aeroporto de Guarulhos, por exemplo.
Embora seja um conflito distante, os preços do QAV no mercado interno seguem a referência internacional do petróleo. Por isso, é comum que, após algum tempo, os valores do combustível de aviação sejam reajustados no Brasil, pressionando as margens das empresas.
Especialistas ouvidos pelo UOL avaliam que as passagens devem ficar mais caras assim que o impacto da alta do petróleo chegar ao mercado brasileiro.
Segundo Gilberto Braga, professor de Economia do Ibmec-RJ, o repasse é praticamente inevitável caso o cenário de alta persista.
"O querosene de aviação será automaticamente impactado e não há como não haver o repasse para o consumidor se a volatilidade dos preços do barril de petróleo continuar com essa vertente de alta", diz o economista.
Para Braga, o Brasil não deve escapar dos efeitos da guerra, inclusive pela presença de empresas estrangeiras no país.
"O Brasil será afetado como qualquer outro país, até porque uma parte relevante dos voos são feitos por companhias com bandeira estrangeira, que já estão expostas aos novos preços dos combustíveis de aviação, ainda que não tenha havido o repasse para as empresas brasileiras", afirma.
Segundo Robson Gonçalves, economista e professor da FGV, o fato de as empresas operarem com margens apertadas e dependerem da escala da operação tende a ampliar o impacto da alta do petróleo no setor.
"A guerra no Golfo [Pérsico] terá forte impacto nos custos, mas também algum efeito sobre viagens internacionais, com queda na demanda localizada nos países da região do golfo. O impacto imediato será sobre as margens de lucro das empresas", afirma.
Mesmo distante do conflito, o Brasil também deve sentir os efeitos.
"Muito embora a Petrobras não venha repassando automaticamente os preços internacionais para o mercado interno, a empresa não teria como represar altas mais expressivas e persistentes", diz o economista.
No curto ou no longo prazo?
Gonçalves acredita que a alta das passagens é apenas uma questão de tempo e depende do reajuste do preço do querosene de aviação.
"Não há como não repassar o aumento atual assim que a Petrobras reajustar o preço do querosene de aviação. No longo prazo, espera-se a normalização do mercado, ainda que nem toda a alta atual deva ser revertida. Isso tende também a ser repassado para as passagens", afirma o professor da FGV.
Já Braga avalia que o setor aéreo deve ajustar sua malha de voos para se adaptar ao novo cenário.
"Não há como fugir. Entretanto, já está sendo desenhado um ajuste na malha de voos. A procura de viagens para as regiões conflagradas e arredores deve cair e aumentar nas regiões livres", conclui o professor do Ibmec-RJ.
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