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A seletividade sobre racismo e reparação histórica em tempos de guerra

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28.03.2026

A seletividade sobre racismo e reparação histórica em tempos de guerra

Por que nosso olhar sobre a guerra no Oriente Médio ainda é tão restrito ao conflito bélico e suas consequências imediatas? Parece que nós, pessoas comuns aqui no Brasil, somos meras espectadoras de um conflito responsável pelo aumento do preço da gasolina.

Lamento dizer aos mais desavisados que essa visão é equivocada. Os conflitos e, consequentemente, as relações internacionais informam mais sobre contextos amplos e complexos do que sobre conjunturas imediatas. Os alinhamentos que movem as peças no campo de batalha, sobretudo nas reuniões a portas fechadas, revelam interesses que, por sua vez, traduzem leituras de mundo e expectativas de poder.

Um importante alinhamento desta natureza se deu na última quarta-feira (25) quando EUA e Israel, junto da Argentina, emitiram voto contrário à resolução da ONU em prol da definição do tráfico de africanos escravizados para as Américas como o "crime mais grave contra a humanidade".

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A abstenção de 52 países - mormente europeus, outrora nações que consolidaram seu poder econômico como agentes do tráfico e mantenedores do sistema escravista - também merece ressalva, os mesmos que têm se posicionado, em sua maioria, inertes diante dos massacres da guerra.

A resolução votada na ONU é guiada pelo direito à memória e à reparação como princípios básicos da Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948).

O que os votos de EUA e Israel revelam sobre a interpretação do racismo no passado, presente e para o futuro? E o que mobilizações como a levada à ONU indicam quando grupos desprovidos de poder institucional reivindicam direitos?

De pronto, uma advertência faz-se necessária. Não está no centro da análise comparar o........

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