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40% do PIB vem de pessoas negras; o mercado de luxo as ignora

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07.04.2026

40% do PIB vem de pessoas negras; o mercado de luxo as ignora

O número já está na mesa: 40% do PIB nacional vem de pessoas negras. Ainda assim, nove em cada dez consumidores negros das classes A e B relatam ter sofrido racismo dentro de lojas e shoppings de luxo. Não é paradoxo. É o retrato de um mercado que ainda não entendeu, ou não quis entender, quem tem o dinheiro. (Fonte: Instituto Locomotiva, 2022, As Faces do Racismo).

Em 2024, a L'Oréal Luxo, em parceria com o Mover (Movimento pela Equidade Racial), encomendou uma pesquisa que ouviu consumidores negros das classes A e B de todo o Brasil. Os dados revelaram 21 dispositivos racistas na jornada de compra, 21 formas distintas de discriminar, excluir e inferiorizar. E o mais impactante: 91% já sofreram ao menos uma dessas situações. Nove em cada dez clientes.

Não estamos falando de exceção. Estamos falando de regra.

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E o que essa regra custa? A consequência é que 52% desistem da compra e 54% não voltam à loja. O racismo destrói a autoestima, e ainda assim o mercado insiste em tratá-lo como problema alheio. É injusto. É ineficiente. É prejuízo.

Eu mesma já perdi a conta de quantas vezes fui confundida com funcionária, mesmo vestida de forma completamente distinta de qualquer uniforme.

Um recado constante: você deveria estar servindo.

A pessoa negra aprende, cedo, que precisa estar impecável para ser minimamente respeitada. Mas impecável, aqui, vai muito além da vaidade. É estratégia. É armadura. Eu sei exatamente o que faço antes de entrar em determinados ambientes: coloco salto alto e abaixo o tom de voz, mais lento, mais pausado. O salto para ocupar espaço com o corpo que o racismo insiste em diminuir. A voz para não dar margem ao julgamento que já chegou antes de mim. Trabalho com comunicação e oratória há anos. Sei, tecnicamente, o que estou fazendo quando escolho agir de tal maneira. E é justamente esse conhecimento que me permite dizer com precisão:........

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