Supremocracia em xeque
Professor da FGV Direito SP, mestre em direito pela Universidade Columbia (EUA) e doutor em ciência política pela USP. Autor de "Constituição e sua Reserva de Justiça" (Martins Fontes, 2023)
Recurso exclusivo para assinantes
Supremocracia em xeque
A guarda da Constituição não pressupõe a manutenção do modelo supremocrático
Como a autoridade judicial não se renova pelo voto, não será fácil sair desta crise
dê um conteúdo benefício do assinante Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler. benefício do assinante Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha. Já é assinante? Faça seu login ASSINE A FOLHA
benefício do assinante
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
benefício do assinante
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
Salvar para ler depois Salvar artigos Recurso exclusivo para assinantes assine ou faça login
Recurso exclusivo para assinantes
Após contribuir de maneira fundamental para defender a democracia de seus inimigos, o Supremo Tribunal Federal imergiu, por seus próprios feitos, numa aguda crise reputacional. A questão que se coloca neste momento é se conseguiremos superar esta crise ou se estamos frente ao esgotamento do modelo supremocrático.
Ao concentrar no STF as funções de tribunal constitucional, corte de últimos recursos e tribunal de primeira instância para a classe política, a Constituição deslocou o Supremo para o centro do sistema político. Não houve questão relevante de natureza política, econômica ou moral a que não se tenha reclamado a última palavra do Supremo.
O tribunal saiu da sombra com o "mensalão", ao julgar criminalmente a elite política do país. A partir de 2013, com o aprofundamento da crise política e a redução da capacidade de construção de consensos pelos representantes eleitos, o Supremo passou a ser demandado de maneira ainda mais intensa e sistemática a coordenar conflitos e, sobretudo, arbitrar interesses econômicos. Alguns ministros foram testando seus poderes e se demonstrando cada vez mais à vontade para fazer escolhas políticas ou econômicas, em detrimento de sua missão de aplicar a Constituição.
A absorção, pelos gabinetes, de atribuições que deveriam permanecer no colegiado agravou o déficit de legitimidade do Supremo e aumentou sua vulnerabilidade, atraindo para sua órbita agentes econômicos, lobistas e operadores políticos, diretamente interessados em suas decisões. Os fatos apontam que alguns gabinetes não souberam ou não quiseram se defender desse movimento. Assim, chegamos até aqui.
A autoridade de qualquer tribunal decorre de sua capacidade de aplicar a lei com independência, imparcialidade, integridade e objetividade. Mais do que isso, precisa ser capaz de transmitir essas virtudes à sociedade. Quando isso não acontece, a autoridade dos tribunais declina.
Como a autoridade judicial não pode ser renovada pelo voto, como a das demais instâncias de poder numa democracia, não será fácil sair desta crise. Ao reconhecer os problemas que afetam o Supremo e propor medidas de autocorreção, desde o seu discurso de posse, o ministro Edson Fachin vem abrindo um corajoso caminho para superar a crise de autoridade do tribunal.
Se conseguir transpor a arrebentação, o próximo desafio será corrigir distorções e repensar as fronteiras hipertrofiadas da jurisdição do Supremo. A mudança mais estrutural —proposta pelo ministro Cézar Peluso em 2011— seria permitir a execução de sentenças após duplo grau de jurisdição, conferindo maior racionalidade e eficiência ao sistema judicial brasileiro. Nem tudo precisa terminar no Supremo ou mesmo nos demais tribunais superiores.
Ícone Facebook Facebook
Ícone Whatsapp Whatsapp
Ícone de messenger Messenger
Ícone Linkedin Linkedin
Ícone de envelope E-mail
Ícone de linkCadeado representando um link Copiar link Ícone fechar
Esses tribunais precisam exercer sua autoridade por precedentes bem concebidos, não por milhares de decisões "ad hoc", que só retardam o término dos processos e criam enormes disparidades na aplicação da lei. Por fim, seria essencial limitar ainda mais a ação monocrática dos ministros, fonte de insegurança jurídica e de corrosão da integridade do Supremo.
A democracia brasileira não parece prescindir de um tribunal com autoridade para zelar pelos direitos fundamentais de grupos vulneráveis, pelo respeito à separação de Poderes, assim como pela integridade da competição eleitoral. Como se diz no jargão da ciência política, "cachorro bravo exige coleira forte".
A guarda da Constituição não pressupõe, no entanto, a manutenção do modelo supremocrático, que cumpriu seu papel. Agora é necessário corrigir os rumos.
Receba no seu email uma seleção de colunas da Folha
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
dê um conteúdo benefício do assinante Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler. benefício do assinante Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha. Já é assinante? Faça seu login ASSINE A FOLHA
benefício do assinante
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
benefício do assinante
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
Salvar para ler depois Salvar artigos Recurso exclusivo para assinantes assine ou faça login
Recurso exclusivo para assinantes
Leia tudo sobre o tema e siga:
sua assinatura pode valer ainda mais
Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas (conheça aqui). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!
sua assinatura vale muito
Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?
Leia outros artigos desta coluna
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/oscarvilhenavieira/2026/02/supremocracia-em-xeque.shtml
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
notícias da folha no seu email
notícias da folha no seu email
Na página Colunas da Folha você encontra opinião e crônicas de colunistas como Mônica Bergamo, Elio Gaspari, Djamila Ribeiro, Tati Bernardi, Dora Kramer, Ruy Castro, Muniz Sodré, Txai Suruí, José Simão, Thiago Amparo, Antonio Prata e muito mais.
O STF e a força da humildade institucional
O STF e a força da humildade institucional
Código de conduta é antídoto contra fragilização do Judiciário
Código de conduta é antídoto contra fragilização do Judiciário
Mutações não podem desvirtuar a essência da Constituição
Mutações não podem desvirtuar a essência da Constituição
