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Pesquisas alertam para risco de extinção de anfíbios na Amazônia

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18.04.2026

Pesquisas alertam para risco de extinção de anfíbios na Amazônia

Agachado sobre a serrapilheira (camada de folhas secas no chão da floresta), um pesquisador busca captar um coaxo diferente com um microfone direcional. Identificar o som de um sapinho costuma ser uma das provas de que se encontrou uma nova espécie. É noite. Ele veste roupa comprida, para se proteger de mosquitos e formigas, e um par de botas, para impedir que se molhem os pés. Encontrar anfíbios na Amazônia não requer equipamento de alta tecnologia; remonta, na verdade, às explorações dos naturalistas do início do século 20.

É assim que o biólogo e professor da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), Igor Kaefer, descreve o que seria um típico dia de campo em busca de anfíbios amazônicos. Ele foi um dos responsáveis pela descoberta do Amazophrynella bilinguis, publicada em 2019. A própria descrição do sapinho já dá a noção da dificuldade de encontrá-lo: as fêmeas medem cerca de 2 cm, e sua cabeça e dorso marrons as fazem "desaparecer" entre as folhas e galhos.

Lar de 1.525 espécies estimadas de anfíbios, a bacia amazônica é a mais diversa do mundo quando se trata de sapos, rãs e pererecas. Porém, desse número, apenas cerca de 810 têm registros confirmados de ocorrência. Por isso, ir a campo e se deparar com uma nova espécie não é algo improvável. "Em quase todo inventário que se faz em uma área remota, volta-se com até mais de uma espécie nova para síntese", conta Kaefer. Mas o intervalo entre encontrar, em campo, uma espécie, sua análise e a publicação de uma descoberta pode levar anos — "ao menos cinco", relata.

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Esse ar de novidades constantes esconde outro dado: entre 2001 e 2010, apenas 12% dos trabalhos sobre anfíbios brasileiros eram sobre espécies amazônicas, contra 60% de trabalhos na Mata Atlântica. O número revela a concentração de estudos no Sudeste do país, além de algumas das dificuldades de se pesquisar na maior floresta tropical do mundo, como a limitação de infraestrutura, difícil acesso a regiões remotas e falta de pessoal. "A espécie que está em extinção na Amazônia é o biólogo que entende de anfíbios", complementa Kaefer.

Mais de 2.000 espécies de anfíbios estão ameaçadas de extinção no mundo, sendo o grupo de vertebrados mais vulnerável do planeta. Desse total, 48% estão diretamente ameaçados pela perda de seus habitats. Com isso, a lacuna de conhecimento acerca de anfíbios amazônicos ganha outra camada de complexidade: podemos estar perdendo populações inteiras antes mesmo de saber que elas existem.

Por que há tantas espécies de anfíbios na Amazônia?

Vista de cima, a floresta amazônica parece um bloco verde contínuo, mas ela é formada........

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