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Estudo revela como solo milenar da Amazônia pode salvar florestas

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04.07.2026

Estudo revela como solo milenar da Amazônia pode salvar florestas

Um solo criado há séculos por populações indígenas amazônicas pode ajudar a acelerar a recuperação de áreas degradadas — e a transformar a forma como a restauração ecológica é vista no Brasil. Um estudo conduzido por pesquisadores do Cena-USP (Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo), da Embrapa Amazônia Ocidental e do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) mostrou que pequenas quantidades da chamada TPA (terra preta da Amazônia) foram capazes de aumentar significativamente o crescimento de árvores nativas em condições reais de campo.

Os resultados, publicados em janeiro de 2026, chamaram a atenção de especialistas especialmente no caso do ipê-roxo (Handroanthus avellanedae), espécie encontrada tanto na Amazônia quanto na Mata Atlântica. Em apenas 180 dias, mudas cultivadas com pequenas quantidades de TPA apresentaram crescimento até 55% maior em altura e 88% em diâmetro de tronco em comparação com plantas cultivadas sem o solo antropogênico (resultante de ação humana).

Em outra espécie amazônica, como o paricá (Schizolobium amazonicum), bastante utilizado no reflorestamento e na indústria madeireira por seu crescimento rápido, os achados também foram significativos: em média, essas plantas cresceram 20% mais e apresentaram tronco 15% maior em diâmetro.

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O estudo reforçou o potencial científico da terra preta da Amazônia, também conhecida como "terra preta de índio". Trata-se de um solo escuro, extremamente fértil e rico em matéria orgânica, formado ao longo de séculos por populações indígenas da Amazônia pré-colonial a partir do acúmulo de carvão, restos orgânicos, artefatos cerâmicos e diversos outros resíduos ali presentes.

No entanto, mais do que na fertilidade, os pesquisadores apontam que o diferencial pode estar na vida microscópica escondida na terra. "A TPA alterou fortemente a microbiota do solo", disse Anderson Santos de Freitas, do Cena-USP, pesquisador e principal autor do estudo. "Ela teve pouco efeito na diversidade bacteriana, mas aumentou a diversidade fúngica, principalmente no ipê-roxo, e promoveu mudanças claras na composição microbiana, com redução de patógenos e aumento de microrganismos benéficos e agentes de biocontrole."

Como conclusão, o........

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