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Vorcaro mentiu a Atlético-MG sobre aporte de R$ 300 mi, indica notificação

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05.03.2026

Vorcaro mentiu a Atlético-MG sobre aporte de R$ 300 mi, indica notificação

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, mentiu ao Atlético Mineiro sobre a origem do investimento de R$ 300 milhões no clube, segundo notificação enviada ao banqueiro pelo clube em outubro de 2025.

Em 21 de outubro de 2025, a SAF do clube notificou formalmente o banqueiro e o fundo Galo Forte —veículo usado por ele para comprar fatia do clube— exigindo transparência sobre a estrutura do investimento em 48 horas.

Como mostrou o UOL, a Polícia Federal investiga a possibilidade de o aporte ter sido feito com dinheiro desviado do banco, em uma "confusão patrimonial".

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Em 2023, Vorcaro aportou R$ 100 milhões no Atlético. Em 2024, injetou mais R$ 200 milhões. Com R$ 300 milhões no total, ele adquiriu 26,88% da Galo Holding S.A., empresa que detém 75% das ações da SAF atleticana.

O veículo usado foi o Galo Forte Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, administrado pela Trustee Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, empresa investigada pela Polícia Federal.

Com o investimento, Vorcaro ganhou assento no conselho de administração da SAF. A Lei das SAFs obriga qualquer acionista com mais de 5% do capital a informar ao clube quem é o beneficiário final —a pessoa física por trás do investimento.

Em janeiro de 2025, o Atlético fez essa consulta aos advogados de Vorcaro. Ele afirmou que era o único beneficiário do Galo Forte, com 100% das cotas. Um organograma enviado pela gestora Trustee confirmava essa versão.

Quando veio à tona a Operação Carbono Oculto, porém, o Atlético foi informado de que o fundo era detido por outras pessoas.

O informe quadrimestral do Galo Forte registrava dois cotistas subscritores: uma pessoa física, com 79,49% das cotas, e um outro fundo de investimento, com os 20,51% restantes.

A notificação, em outubro, cobra explicações sobre a discrepância entre o que foi declarado ao clube e o que constava nos dados da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Dados obtidos pela reportagem mostram que o Astralo 95 detinha 100% das cotas do Galo Forte FIP até novembro de 2024 e, a partir de dezembro, 80% das cotas passaram a ser de Daniel Vorcaro e 20% do Astralo 95.

Procurada, a defesa de Vorcaro disse que não iria se manifestar.

Procurado pelo UOL, o Atlético enviou uma nota afirmando que o Galo Forte Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia "é um veículo de investimento devidamente constituído e regular, com funcionamento em conformidade com a legislação vigente e registrado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM)".

"O Clube não participa da gestão do fundo, tampouco tem ingerência sobre sua estrutura, cotistas ou operações financeiras. "

"O Atlético ressalta que todos os aportes realizados na SAF seguiram os procedimentos legais, contratuais e de governança aplicáveis, tendo como contraparte a Galo Holding e seus veículos de investimento, sem qualquer envolvimento do Clube em decisões ou movimentações de natureza bancária, financeira ou investigativa relacionadas a terceiros."

O fundo Galo Forte funcionava abaixo de uma cadeia de cinco fundos encadeados —Olaf 95, Hans 95, Alepo 95, Maia 95 e Astralo 95, todos geridos pela Reag Investimentos. Cada fundo era dono único do seguinte, até chegar ao Galo Forte.

O modelo é chamado de "fundo sobre fundo" e tem como característica principal a capacidade de ocultar os reais beneficiários.

O Ministério Público de São Paulo já investigava essa estrutura na Operação Carbono Oculto. A suspeita era de que os fundos no topo da cadeia teriam ligação com esquemas de lavagem de dinheiro do PCC.

Na notificação de outubro, o Atlético cobrou, em 48 horas, o nome completo e a qualificação de todos os cotistas do Galo Forte.

Se houvesse outros fundos na cadeia, o clube queria saber sobre cada um deles, remontando toda a estrutura até chegar à pessoa física beneficiária final. Também exigia documentação comprobatória.

O documento registrava ainda que, duas semanas antes, o Atlético havia feito pedido similar para atualização do cadastro na FIFA Clearing House e não havia recebido nenhuma resposta.

Não há registro de que Vorcaro ou a Trustee tenham respondido. Procurada, a defesa do banqueiro não respondeu.

Em 17 de novembro de 2025, Vorcaro foi detido no Aeroporto de Guarulhos quando tentava embarcar em avião particular para a Europa. Para a Polícia Federal, havia evidências claras de tentativa de fuga do país.

Ele ficou preso por 12 dias. Depois, foi solto por decisão do TRF-1 e passou a usar tornozeleira eletrônica.

Depois disso, o Atlético destituiu Vorcaro do conselho de administração da SAF em assembleia extraordinária, alegando "fatos de conhecimento público que geraram impedimentos para o exercício regular de suas funções".

O Galo Forte, no entanto, segue como acionista da Galo Holding S.A.

Nesta quarta-feira (4), Vorcaro foi preso novamente. A ordem partiu do ministro André Mendonça, do STF, em sua primeira decisão como relator do caso, após assumir a relatoria em substituição a Dias Toffoli.

A PF encontrou mensagens em que Vorcaro integrava um grupo chamado "A Turma", no qual teriam sido planejadas ações violentas contra adversários, incluindo jornalistas.

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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