Autocuidado não é skincare e creme caro, mas a reivindicação de um direito
Autocuidado não é skincare e creme caro, mas a reivindicação de um direito
Faz tempo que quero escrever sobre isso por aqui. Sobre a noção equivocada de autocuidado e como ela foi apropriada — especialmente pela indústria da beleza — para vender a ideia de que se trata de acordar cinco minutos antes e meditar ou "adotar uma rotina" ou ainda fazer seu skincare (eu odeio termos em inglês, especialmente para coisas para as quais temos bons nomes em português, mas aqui, este vai bem, porque ele carrega meu duplo ranço por esta compreensão errada do autocuidado).
Vejam: o entendimento equivocado do termo não se dá ao acaso. Tem muita gente trabalhando duro para convencer a gente de que todos temos as mesmas 24 horas e de que basta a gente se organizar, que vamos conseguir dar conta de tudo, quando isso não é verdade.
Especialmente em contextos desiguais, prescrever autocuidado como se todas as pessoas desfrutassem da mesma condição de experiência temporal é violento; e faz as pessoas se sentirem frustradas e com raiva, por não conseguirem se organizar e se cuidar.
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