Novo Desenrola expande crédito prolongando endividamento
Novo Desenrola expande crédito prolongando endividamento
A nova fase do Desenrola anunciada pelo governo federal — voltado para aqueles sem vínculo formal de trabalho, ou os "sem CLT" — deve ampliar a capacidade de compra dessa população — mas não fará nada para reduzir o superendividamento das famílias. Ao contrário, poderá torná-las endividadas por um prazo mais longo, avalia o especialista em crédito Lauro Gonzalez, professor de Finanças e Coordenador do Centro de Estudos em Microfinanças e Inclusão Financeira da FGV (FGVCemif).
O programa troca uma dívida cara — a taxa média de juros no crédito pessoal é da ordem 7,15% ao mês — por uma mais barata (1,99%, com garantia do governo). E estende os prazos das parcelas para que a pessoa possa contrair uma dívida nova, comprometendo a renda futura por um prazo mais longo.
"A meu ver, as medidas terão um peso quase nulo no combate ao superendividamento. Em um ano eleitoral, a motivação do novo programa, muito claramente, é a expansão do crédito e a ativação do consumo via crédito", diz Gonzalez.
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