Como é bom ver filho crescer e notar que o coração fica maior e mais bonito
Nesse momento, dezesseis anos atrás, eu estava arrumando a sua mala. Era a vigésima vez que eu separava as suas roupas e eu sempre terminava escolhendo os conjuntos listrados. Mesmo assim, a ação física - ainda que mecânica - de decidir onde ficariam os macacões e as fraldas, e em qual compartimento entraria a manta que havia sido do seu irmão me dava a sensação de estar construindo um prédio ou surfando uma onda gigante. Como se, em uma bolsa de bebê, coubesse a minha vida inteira.
E cabia.
Sobrava, claro, algum espaço para ansiedade e para o calor - pelo amor de Deus, era o meu segundo barrigão em janeiro e eu e o verão definitivamente nunca fomos um bom casal. Mas ali não tinha jeito, não dava para fugir nem para serra, nem para praia e muito menos para cerveja. Eu tinha que te esperar.
Sakamoto
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Vinicius Torres........
