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Por que especialistas em câncer estão falando tanto de drogas com GLP-1?

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16.06.2026

Por que especialistas em câncer estão falando tanto de drogas com GLP-1?

Desde que a ciência, por sorte, tropeçou em uma molécula presente no veneno de um lagartão que habita áreas desérticas do México e dos Estados Unidos, reparando que ela se parecia demais com um hormônio produzido no intestino, e que isso virou remédio — primeiro, para o diabetes e, depois, para a obesidade —, a sensação é de que, se a gente pudesse, pingaria umas gotinhas na água (mas não, não façam isso em casa!).

Ora, dá para entender: a classe de medicamento criada a partir daquele momento eureca em 1992, diante do monstro-de-gila, parece ajudar contra todas as nossas mazelas. E agora o peptídeo semelhante ao glucagon 1, o popular GLP-1 de canetinhas e comprimidos para a perda de peso (sim, é dele que estou falando!), anda sob os holofotes de várias especialidades médicas. No encontro anual da Asco (Sociedade Americana de Oncologia Clínica), realizado no início de junho em Chicago (EUA), não foi diferente: ele foi a estrela de 42 trabalhos apresentados no evento.

Seria o GLP-1 equivalente à descoberta da pólvora para a medicina? Talvez o contrário: sua fama vem justamente da capacidade de desarmar a bomba que acionamos com horas de sono perdidas para telas, com mais sofá do que movimento, com poluentes nos invadindo pela água, pela comida e pelo ar, com produtos ultraprocessados carregados de açúcar, gorduras e aditivos químicos fingindo ser alimentos de verdade. Sem contar o tempo de autocuidado incendiado pela ansiedade moderna. Tudo isso leva a uma epidemia da obesidade, fator de risco comprovado para, pelo menos, 13 tipos de câncer.

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O melhor seria prevenir o acúmulo de gordura corporal com mais exercício, alimentação saudável e controle de peso — aliás, como recomenda o Código Latino-Americano e Caribenho contra o Câncer, elaborado pela Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) e pela Iarc (Agência Internacional de Pesquisa em Câncer).

Os trabalhos apresentados na Asco, porém, buscavam as seguintes respostas: será que o tratamento com GLP-1 reduziria o risco de alguém com excesso de peso desenvolver um câncer? Os congressistas se perguntaram: será que o uso desse medicamento retardaria o avanço........

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