O jeito de classificar a obesidade pode adiar demais seu tratamento
O jeito de classificar a obesidade pode adiar demais seu tratamento
Será que podemos falar que existe uma obesidade benigna ou, vá lá, metabolicamente saudável para valer, com a qual a pessoa conviveria por anos a fio sem ter problemas? E, nesse sentido, será que alguma forma usada hoje para classificar a obesidade acertaria em cheio em apontar o risco à saúde provocado pelo excesso de adiposidade?
Quatro médicos brasileiros acabam de publicar uma análise crítica das diversas definições de obesidade encontradas por aí em um espaço nobre: nas páginas da revista Diabetology & Metabolic Syndrome.
Para começo de conversa, concluíram que nenhuma classificação abraça a complexidade dessa doença crônica. Ao contrário, uma delas pode até adiar perigosamente o tratamento, especialmente de crianças e adolescentes, e eles se referem justo à que anda mais badalada de todas, aquela criada pela Comissão Lancet, divulgada em janeiro do ano passado.
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O assunto soa a uma discussão acadêmica. Mas acredite: não é. Isso implica diretamente na nossa saúde, olhando para os 17 milhões de meninos e meninas com obesidade no país e para um em cada quatro brasileiros adultos que tem essa doença. A forma de classificar poderá interferir até na decisão sobre quem receberá medicamentos quando, um dia, eles chegarem ao SUS (Sistema Único de Saúde).
Aliás, a discussão também traz esclarecimentos interessantes para quem se sente protegido por um número de IMC (Índice de Massa Corporal) "normal", mas que exibe uma barriguinha. O abdômen estufado talvez seja apenas a parte visível de uma condição em que a gordura se infiltra no endereço errado, como no fígado, nos músculos, no pâncreas e no próprio coração, que é o primeiro a se ver ameaçado no corpo do "falso magro".
"Por isso mesmo, usamos a palavra 'adiposidade' no título do artigo, no lugar do termo 'obesidade'", conta Márcio Mancini, endocrinologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo). Ele é o autor principal do texto, escrito ao lado dos também endocrinologistas Maria........
