Por fim a maturidade, tão precocemente
Por fim a maturidade, tão precocemente
Não se preocupe, leitor, não é de mim que falo. Não usaria este espaço para alardear a minha própria maturidade, até porque ela me anda escassa. Aos 44 anos não disponho de nenhum dos atributos que costumamos associar aos seres maduros, não sou sábio ou sereno, não vejo em minha pele o mapa dos anos passados, não ando a contemplar entardeceres com ar nostálgico. Pelo contrário, há dias em que me sinto impulsivo, desregrado, inconsequente, caótico, dias em que me torno o lamentável tumulto da minha própria vida, dias em que procuro o ruído como se só nele pudesse ouvir a paz. Envelhecido ante todos os homens que já fui, ainda sou jovem demais.
Falo de uma pessoa bem mais equilibrada do que eu, mais cautelosa e responsável, uma pessoa de feições amenas e gestos ponderados. Falo de Tulipa, a minha filha de oito anos. Em meio aos alvoroços da existência, as iras e os risos da irmã, as verborrágicas angústias dos pais, ela se mantém plácida, inalterada, ainda que tão atenta ao que se passa ao redor. Não são só os meus olhos, outros o disseram com palavras semelhantes. Quem quer que conviva com ela, que passe uma manhã ao seu lado, sente o silêncio que dela emana, percebe o prazer com que ela se entrega às atividades mais brandas, a leituras sucessivas ou........
