A maior crise ética e moral da historia do Sâo Paulo
POR MIZAEL CONRADO, bicampeão mundial paralímpico de futebol de cegos*
O futebol, no Brasil, não é simples prática esportiva. É herança afetiva, rito de passagem, liturgia popular que organiza memórias e dá sentido a ausências. Para o torcedor, o clube é mais do que escudo: é destino compartilhado, é voz interior que acompanha silêncios e celebrações. No meu percurso pessoal, o futebol foi sonho inaugural. Sonhei ser jogador, sonhei vestir a camisa do São Paulo Futebol Clube, sonhei ser o goleador que faria do Morumbi o seu altar cotidiano. A lembrança mais remota que guardo não é banal: é o gol de Careca na final do Campeonato Brasileiro de 1986, disputada em 25 de fevereiro de 1987. Ali, ainda menino, aprendi que o futebol podia ser épico, que a alegria podia ser coletiva e que certas imagens jamais nos abandonam.
Em momentos de tristeza, frustração ou desalento, o Tricolor foi amparo. E havia, então, um orgulho legítimo: torcia-se para o maior clube do país, para a instituição mais respeitada, mais organizada, mais avançada em termos administrativos. O São Paulo representava excelência. Representava método. Representava futuro. Os chamados "cardeais do Morumbi" formavam uma elite dirigente que inspirava respeito dentro e fora do campo. O clube possuía o maior estádio particular do mundo, inaugurou o primeiro centro de treinamento dedicado exclusivamente ao futebol, estruturou um departamento médico que se tornou referência internacional e consolidou uma cultura de planejamento e profissionalismo inédita no Brasil.
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Essa arquitetura institucional produziu, como consequência natural, resultados esportivos extraordinários: bicampeonato da Libertadores, bicampeonato mundial, tricampeonato brasileiro, além de outras conquistas relevantes, como a Copa Conmebol vencida pelo time júnior, o histórico Expressinho do Morumbi. Mais do que títulos, o São Paulo formou mentalidade vencedora e elevou o patamar do futebol brasileiro, inclusive contribuindo decisivamente para que a Libertadores........
