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Caiado se apresenta ao eleitor como Frankenstein ideológico

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31.03.2026

Caiado se apresenta ao eleitor como Frankenstein ideológico

Durante a ditadura, a direita era mais organizada. Qualquer um podia ser presidente da República, desde que tivesse quatro estrelas. Excluindo-se os hotéis, restavam os generais. Hoje, a patente é desnecessária. Mas Ronaldo Caiado achou que seria uma boa ideia se apresentar ao eleitor como vinho da safra do capitão.

Na véspera deste 31 de março, aniversário de 62 anos do golpe militar de 64, Caiado expôs sua prioridade: "Meu primeiro ato será a anistia ampla, geral e irrestrita". Associou o perdão de Bolsonaro e seus comparsas à tese da pacificação. Teve a má ideia de vincular o gesto a Juscelino Kubstichek.

JK anistiou oficiais da Aeronáutica e do Exército que tentaram impedir a sua posse ou derrubar o seu governo. Foram dois levantes: Jacareacanga (1956) e Aragarças (1959). No golpe de 1964, oficiais perdoados se vincularam à deposição de João Goulart. JK foi um dos primeiros políticos a ter os direitos cassados.

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Caiado inaugurou uma despolarização criativa. Bateu mais num polo do que no outro. Para Lula, pancadaria. Para o filhote do capitão, insinuações vagas. Questionado se Flávio seria o alvo de suas referências à inexperiência, Caiado evitou dar nome à imperícia. "Meu pai disse que não se aprende a governar sentado na cadeira de presidente", limitou-se a dizer.

Para desafiar Lula, Caiado precisa ultrapassar Flávio. Surfando duas ondas —a impopularidade do governo petista e a fragilidade do arranjo familiar do bolsonarismo—, tenta beliscar votos na direita e no centro como uma espécie de Frankenstein ideológico. Não se deu conta de que o surfe só funciona no mar. Na política, as manobras do surfista não conduzem ao segundo turno. Morrem na praia.

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

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