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O périplo de Gilmar na mídia e suas desculpas a Zema por fala homofóbica

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29.04.2026

O périplo de Gilmar na mídia e suas desculpas a Zema por fala homofóbica

Em sua peregrinação midiática na semana passada, durante a qual concedeu sete entrevistas a grandes veículos de comunicação em apenas três dias, o ministro Gilmar Mendes, decano do STF (Supremo Tribunal Federal), revelou muito sobre si mesmo e sobre a visão peculiar que ele tem a respeito da instituição e da aplicação da Constituição e dos códigos legais.

Como se fosse o presidente em exercício do Supremo ou como se tivesse se autoinvestido na função de seu porta-voz ou relações públicas, Gilmar expôs mais uma vez, para quem ainda tinha alguma dúvida sobre isso, sua obsessão pelos holofotes.

À revelia do que reza a Loman (Lei Orgânica da Magistratura Nacional) e do princípio de que "o juiz deve se expressar por meio dos autos", em respeito à liturgia do cargo, ele voltou a falar abertamente sobre processos que estão em andamento no STF.

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Com a declarada intenção de defender a Corte do que julga ser "uma indústria de difamação e de acusações caluniosas" à instituição, diante das suspeitas sobre o envolvimento de ministros no escândalo do Banco Master, Gilmar também se colocou como se houvesse unanimidade hoje no Supremo em relação aos temas de que tratou nas entrevistas — o que, como se sabe, está longe de refletir a realidade. Felizmente, o tribunal já não é mais o bloco monolítico que aparentava ser até pouco tempo atrás e voltou a ganhar um perfil mais plural, como deve ocorrer numa Corte Superior.

No entanto, ao expor suas posições, muitas das quais estão na raiz das críticas feitas por boa parte da sociedade ao STF, Gilmar produziu o efeito oposto ao que desejava com seu périplo na mídia. Com suas teses controversas, acabou por mostrar que a perda de credibilidade do Supremo e a deterioração de sua imagem perante a população, que está no ponto mais baixo de todos os tempos, têm uma boa dose de fundamento.

Ministério da Verdade

Nas entrevistas, ele defendeu a continuidade do interminável inquérito das fake news, no qual cabe tudo que incomoda os ministros, "pelo menos até as eleições". Deu a entender, com isso, que o dispositivo vai funcionar como um autêntico Ministério da Verdade durante a campanha eleitoral, para conter e penalizar os críticos do STF e de seus ministros e para tutelar posições políticas assumidas por candidatos e seus apoiadores.

Gilmar também relativizou a liberdade de expressão e a imunidade parlamentar plena previstas na Constituição; procurou justificar a atuação de ministros em causas de empresas nas quais seus parentes e familiares atuem como advogados; defendeu a ideia de que o Supremo deve barrar eventuais pedidos de impeachment de ministros "que........

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