As 'luvas de pelica' de Aécio contra o lulopetismo
As 'luvas de pelica' de Aécio contra o lulopetismo
"Eu combato o PT, mas Lula não é meu inimigo". A afirmação, feita na segunda-feira (25) pelo deputado Aécio Neves, presidente nacional do PSDB, no programa "Frente a Frente", produzido pelo UOL em parceria com a Folha, diz muito sobre o papel ambíguo representado pelo tucanato no cenário político do país.
Explica muito também sobre a decadência do partido após a derrota do próprio Aécio para a ex-presidente Dilma Rousseff nas eleições de 2014, o quarto revés consecutivo para o PT na disputa pelo Planalto.
Apesar de Aécio ter ressurgido das cinzas, como Fênix, depois de um longo período na sombra, e falar como se o "inferno astral" do PSDB tivesse ficado para trás, a dura realidade é que a legenda praticamente evaporou do cenário político desde então.
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No Congresso, a sigla está reduzida hoje a uma bancada de apenas três senadores (3,7% do total) e 18 deputados federais (3,5% do total). Isso depois de ter atraído alguns deputados na última janela partidária, encerrada no início de abril.
Nos estados e nos municípios a situação é semelhante. Dos três governadores que o PSDB elegeu em 2022 —Eduardo Leite (RS), Raquel Lyra (PE) e Eduardo Riedel (MS)— nenhum continua na sigla. Os dois primeiros migraram para o PSD e o terceiro, para o PP. Nas eleições municipais de 2024, o número de prefeitos do partido caiu pela metade, para 269, em relação ao pleito de 2020.
Pelo andar da carruagem, nada parece indicar que a situação vai se alterar de forma significativa no pleito deste ano. Nem que a legenda conseguirá um dia, talvez, apear o lulopetismo do poder usando luvas de pelica, como Aécio sugeriu em sua fala.
Até porque esse quadro desolador para o PSDB, que já foi uma das grandes forças políticas do país, deve-se, em boa medida, a ele mesmo, mais especificamente à atuação vacilante que parece estar em seu DNA , marcando-o como um partido que fica "em cima do muro".
Tem muito a ver também com a percepção de que, na prática, a sigla não se mostrou a oposição ao PT almejada por um contingente considerável de eleitores, em especial no campo mais conservador, no qual o antipetismo predomina.
A rigor, depois da primeira vitória do presidente Lula, em 2002, o PSDB tornou-se o campeão do segundo lugar na disputa pelo Planalto. Foi sempre a oposição que o PT pediu a deus: não tinha força para derrotá-lo, não tinha penetração popular e não conseguia realizar uma manifestação de massa digna do nome, que mostrasse sua vitalidade. Tampouco tinha um discurso com apelo para atrair os mais pobres.
Embora o PSDB tenha se colocado como contraponto........
