'Arrego' de Trump no Irã é peça de ficção antiamericana
'Arrego' de Trump no Irã é peça de ficção antiamericana
Quem acompanha o noticiário sobre a Guerra do Irã, aqui e lá fora, tem a impressão de que os Estados Unidos estão com o rabo entre as pernas e de que o regime dos aiatolás está dando um baile nos americanos.
"O Trump perdeu o controle da guerra e está entrando em pânico", diz um analista. "O Trump está perdido. É um animal acuado e perigoso", afirma outro. "Ele falou grosso, mas, quando o petróleo subiu, arregou rapidinho", pontifica um terceiro, celebrando uma suposta capitulação de Trump, com a suspensão parcial das sanções impostas ao Irã, para conter a alta dos preços do produto no mercado internacional.
A julgar pela narrativa predominante por aí, o presidente dos EUA, Donald Trump, é um beócio que está sendo humilhado pela "resistência" da República Islâmica. Seus ataques ao Irã, lançados com o apoio de Israel logo após a onda de protestos que deixou mais de 40 mil mortos, estariam condenados ao fracasso.
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No limite, pela versão que tomou conta do noticiário, o gigante americano estaria na iminência de sofrer uma derrota semelhante à que lhe foi imposta pelos comunistas do Vietnã do Norte em 1975, depois de dez anos de uma guerra cruel. E nada do que Trump faça ou venha a fazer poderá mudar o curso dos acontecimentos.
O problema é que tal narrativa —produzida pelo regime iraniano e impulsionada no Ocidente pela esquerda, em linha com a aliança amalgamada após os ataques do Hamas a Israel em outubro de 2023— pode até mobilizar a militância e alimentar as redes sociais. Mas está longe de refletir a complexidade do conflito e a realidade no campo de batalha.
Contaminada pelo sentimento antiamericano e pela chamada Síndrome do Transtorno Causado por Trump (TDS, na sigla em inglês) —uma "doença" caracterizada pelo ódio obsessivo ao presidente dos EUA e a tudo que lhe diz respeito— a narrativa passa uma visão distorcida do que está acontecendo no front. Maximiza o impacto da reação do regime e minimiza o poder militar e os feitos dos Estados Unidos (e de Israel) na guerra, celebrados pelo mundo afora pelos expatriados iranianos.
Também subestima a capacidade de Trump de atingir de forma definitiva a tirania islâmica do Irã e a máquina de guerra americana, com suas tropas bem treinadas e os equipamentos mais avançados do mundo do ponto de vista tecnológico. Apesar de o regime iraniano afirmar que "o fim da guerra não será definido por Trump", é difícil imaginar que o presidente americano e os EUA estejam encurralados. Nesta altura do confronto, também parece improvável que eles saiam dessa de cabeça baixa.
Ainda que o regime dos aiatolás se mantenha em pé, mesmo cambaleante, não dá para simplesmente ignorar o que os EUA e Israel conseguiram até agora, em cima do que já haviam feito em meados de 2025, com os bombardeios às instalações nucleares iranianas e o assassinato de alguns dos principais responsáveis pelo programa.
Desde a deflagração da operação "Epic Fury" (Fúria Épica) em 28 de fevereiro, a cúpula do regime foi dizimada. O Líder Supremo do Irã, Ali Khamenei, está morto. Seu filho Mojtaba, nomeado como seu sucessor, está sumido há dias e, conforme informações americanas, teria sido gravemente ferido nos ataques ao país.
Foram-se também os principais líderes militares e do aparato de segurança. Entre eles, o chefe do Conselho de Segurança Nacional, os ministros da Inteligência e da Defesa, além dos comandantes da Guarda Revolucionária Islâmica e da Marinha. Foi um verdadeiro strike, como se diz no boliche quando o jogador derruba os dez pinos de uma vez.
Em menos de duas semanas, os EUA afundaram cerca de 50 embarcações da Guarda Revolucionária e bombarderam perto de cinco mil pontos estratégicos do país, incluindo usinas de energia e centros de comando militar e de segurança interna do regime. O Irã está lutando no escuro, sem comunicações seguras e com a infraestrutura energética em frangalhos.
A suspensão parcial das sanções contra o país não parece ser uma capitulação, mas uma jogada calculada de Trump, para reduzir o poder de influência do regime iraniano e garantir preços mais baixos para os combustíveis no mercado americano.
"Estamos usando os barris iranianos contra Teerã", afirmou o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, ao comentar a questão. "Desbloquear esse petróleo derruba o preço global, tira o poder de barganha do Irã no mercado paralelo e mantém a economia americana girando, enquanto a operação 'Fúria Épica' continua."
Quem interpreta a trégua e o Plano de 15 Pontos de Trump como sinais de fraqueza dos EUA parece viver numa realidade paralela. O tempo dirá se a anunciada rejeição do plano de Trump pelo regime dos aiatolás é para valer ou é mais uma peça de retórica para alavancar a narrativa de "resistência" e manter seus apoiadores, dentro e fora do país, mobilizados.
É certo que o Irã não recebeu os ataques passivamente. O bloqueio no Estreito de Hormuz e uso de drones e mísseis contra Israel e seus vizinhos no golfo, como a Arábia Saudita, os Emirados Árabes e o Qatar, mostraram que o regime, mesmo enfraquecido, ainda tem capacidade de causar danos, dentro de suas possibilidades bélicas.
Apesar da inesperada reação do Irã, os EUA se preparam para o pior, com uma poderosa concentração militar no golfo, a maior desde a Guerra no Iraque, em 2003. Ainda que alguns analistas apontem um "improviso" nas ações do país na região, que estaria comprometendo a ação americana e minando o poder de barganha dos EUA nas negociações para o fim da guerra, nada parece indicar que haverá um recuo ou uma derrota do país, como sugere a narrativa dominante. Ao contrário. No xadrez de Donald Trump, o xeque-mate no regime dos aiatolás continua no radar, mesmo que como forma de dissuasão.
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