menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

China e EUA fazem de Munique ensaio para encontro de Xi e Trump

9 0
14.02.2026

Jornalista, mestre em Estudos da China pela Academia Yenching (Universidade de Pequim) e em Assuntos Globais pela Universidade Tsinghua

Recurso exclusivo para assinantes

China e EUA fazem de Munique ensaio para encontro de Xi e Trump

Cidade alemã recebe anualmente Conferência de Segurança

Evento também será desculpa para que negociadores desenhem os próximos passos da visita de Trump a Pequim

dê um conteúdo benefício do assinante Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler. benefício do assinante Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha. Já é assinante? Faça seu login ASSINE A FOLHA

benefício do assinante

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

benefício do assinante

Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

Salvar para ler depois Salvar artigos Recurso exclusivo para assinantes assine ou faça login

Recurso exclusivo para assinantes

Todo ano a Alemanha sedia um dos eventos mais importantes na área de defesa, geopolítica e estratégia. A Conferência de Segurança de Munique é utilizada como plataforma de sincronia entre os dois lados do Atlântico e, desde 2022, como principal fórum para discutir o conflito na Ucrânia.

Nesta semana, ela serviu de desculpa para que os principais negociadores dos EUA e da China se encontrassem e desenhassem a agenda da visita de Donald Trump a Pequim. Depois de uma longa ligação entre os dois países na semana passada, a programação do encontro começou a ficar mais clara.

Trump gosta de destacar ter um "ótimo relacionamento" com Xi e tem vendido a viagem em abril como uma oportunidade de avançar em pontos-chave com a China. Mas a percepção em Pequim do seu poder pessoal e da janela de oportunidade para avançar em questões mais espinhosas podem frustrar o americano.

Da última vez que se viram, na Coreia do Sul, Xi e Trump assinaram não um acordo, mas uma trégua comercial de um ano que atrasou a implementação de tarifas que em dado momento chegaram a 150% contra produtos chineses.

Receba no seu email os grandes temas da China explicados e contextualizados

O texto incluiu redução de tarifas, a suspensão por um ano de controles chineses sobre exportações de terras raras e materiais críticos e a retomada de compras chinesas de soja americana, um alívio para fazendeiros pressionados pela guerra comercial. Pequim também aceitou aliviar algumas medidas punitivas contra empresas dos EUA e pausar taxas portuárias recíprocas.

Esses termos não neutralizaram o eixo central de tensão. Xi não pretende (nem pode) alterar sua posição sobre Taiwan, e Washington não garantiu limitação das futuras vendas de armas à ilha. O encontro em Busan foi, acima de tudo, um aperto de mão tático, desenhado para dar espaço político aos dois lados.

Abril, portanto, não deve produzir um "novo capítulo" na relação, mas o prolongamento do armistício. A extensão da trégua por mais um ano é o cenário mais plausível.

Ícone Facebook Facebook

Ícone Whatsapp Whatsapp

Ícone de messenger Messenger

Ícone Linkedin Linkedin

Ícone de envelope E-mail

Ícone de linkCadeado representando um link Copiar link Ícone fechar

Há certa urgência no cálculo. Com as eleições de meio de mandato no horizonte e a perspectiva de uma Câmara menos favorável, Trump tem incentivo para fechar algo concreto enquanto ainda dispõe de margem. Xi certamente se prepara para este cenário (e com certeza entende como a China costuma servir de espantalho na política doméstica americana, o que acelera a busca por pontos de conciliação).

Mas o risco continua sendo Taiwan. Novas vendas americanas de armas à ilha seguem como principal fator de descarrilamento. Se Washington avançar antes da visita, o custo político para os chineses em fechar qualquer acordo aumenta, e o espaço para distensão diminui.

Outro vetor relevante serão acordos de investimento entre empresas chinesas e americanas, especialmente em energia e cadeias de veículos elétricos e baterias. Em ano de eleição, Trump tem pressa para mostrar números e arranjos híbridos, semelhantes ao modelo negociado em torno do TikTok em que empresas americanas e um controlador chinês atuam lado a lado.

A visita de abril não decidirá o rumo da relação entre as duas potências. Mas revelará algo mais concreto: até que ponto Washington está disposto a modular Taiwan em troca de estabilidade econômica —e até que ponto Pequim aceita tal concessão sem resolver sua principal disputa estratégica.

LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

dê um conteúdo benefício do assinante Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler. benefício do assinante Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha. Já é assinante? Faça seu login ASSINE A FOLHA

benefício do assinante

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

benefício do assinante

Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

Salvar para ler depois Salvar artigos Recurso exclusivo para assinantes assine ou faça login

Recurso exclusivo para assinantes

Leia tudo sobre o tema e siga:

sua assinatura pode valer ainda mais

Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas (conheça aqui). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

sua assinatura vale muito

Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

Leia outros artigos desta coluna

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/igor-patrick/2026/02/china-e-eua-fazem-de-munique-ensaio-para-encontro-de-xi-e-trump.shtml

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

notícias da folha no seu email

notícias da folha no seu email

Na página Colunas da Folha você encontra opinião e crônicas de colunistas como Mônica Bergamo, Elio Gaspari, Djamila Ribeiro, Tati Bernardi, Dora Kramer, Ruy Castro, Muniz Sodré, Txai Suruí, José Simão, Thiago Amparo, Antonio Prata e muito mais.

Política chinesa dificulta possibilidade de acordo para controle nuclear

Política chinesa dificulta possibilidade de acordo para controle nuclear

Panamá anula contratos de portos após pressão de Trump contra chineses

Panamá anula contratos de portos após pressão de Trump contra chineses

Canadá corrige rota com China em demonstração de autonomia

Canadá corrige rota com China em demonstração de autonomia


© UOL