As expectativas de inflação, os juros e a Guerra no Irã
As expectativas de inflação, os juros e a Guerra no Irã
Neste momento, não é razoável esperar que o Banco Central tome medidas mais intensas, seja pelo afrouxamento seja pelo aperto da política monetária. A incerteza é a palavra da vez. O destino da Guerra no Irã definirá o futuro da oferta global de petróleo, mas, até que se vislumbre um desfecho, a volatilidade estará presente.
As expectativas para a inflação coletadas, semanalmente, no âmbito da Pesquisa Focus/Banco Central, estão subindo. Na edição de ontem, a mediana das projeções do mercado apontava 4,36% para a variação do IPCA em 2026. Já foram quatro semanas seguidas de aumento, partindo-se de patamar inferior a 4% (3,91%).
Em grande medida, o fenômeno revela que os economistas estão refazendo suas projeções para incorporar os efeitos da alta do preço do petróleo. Na verdade, trata-se de uma mudança de patamar de preços, como comentei na coluna da semana passada. Vale dizer, a subida do petróleo transborda para os combustíveis, mesmo na presença de subsídios, subvenções e reduções de alíquotas de tributos relevantes.
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Além disso, o mercado acaba incorporando os efeitos secundários dos aumentos nos combustíveis sobre os custos de produção, que podem resvalar em alimentos mais caros, por exemplo.
Quanto a isso, é preciso ter claro: não adianta o Banco Central usar os juros. Trata-se de um choque de oferta negativo contra o qual o remédio usual — aumento da Selic — não tem nada a contribuir de imediato. Evidentemente, se o espalhamento de custos for amplo e ganhar contornos mais permanentes, a história pode mudar.
Por ora, o Brasil tem uma vantagem. A Guerra no Irã nos pegou em um momento de desaceleração da atividade econômica, solidez nas contas externas e juros bastante elevados. Há gordura para agir com cautela, portanto.
As expectativas de inflação mudam de modo sincronizado, porque os cadastros são feitos, pelas diferentes instituições, em determinadas datas. Some-se a isso a maior atenção dada, agora, na presença de um evento externo que, por óbvio, altera o cenário desenhado pelos economistas.
A elevação mais expressiva esperada para o IPCA, entretanto, não deve levar à conclusão de que, na presença dessas expectativas pressionadas, temporariamente, o correto seria responder com juros. O prejuízo para economia seria gigantesco; o ganho, do ponto de vista do controle das pressões inflacionárias, tendente a zero.
Vale lembrar que o custo do crédito está elevado, tanto para empresas quanto para pessoas físicas. A culpa não é apenas da Selic, mas dos spreads bancários, que incorporam risco de inadimplência e outros fatores. A estrutura de juros, no Brasil, precisa ser revisitada; a questão é antiga. Não é em meio à tempestade, contudo, que se vai promover cavalo de pau.
O momento exige segurar bem firme o leme do navio. A névoa da guerra se combina com os temas típicos de anos eleitorais para redundar em um quadro de dificuldades adicionais aos gestores responsáveis pela política econômica.
Como já afirmei, neste espaço, a Fazenda tem conseguido garantir que, a cada medida anunciada para amenizar a alta de preços, o custo seja coberto, preservando o princípio da neutralidade para as contas públicas. É isso, de fato, que tem de continuar a ser feito.
Do lado do Banco Central, não há motivo para interromper a trajetória de queda iniciada com uma redução, em março, de 0,25 ponto de percentagem nos altíssimos 15% ao ano (Selic). A alta das expectativas de inflação é motivada pelos fenômenos externos mencionados, e não por pressões de demanda que pudessem ser afogadas com mais e mais custos de crédito.
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