É preciso restabelecer valores e padrões éticos no Estado brasileiro
É preciso restabelecer valores e padrões éticos no Estado brasileiro
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No meu trabalho atual, no mercado financeiro, dialogo com clientes, investidores, gestores e economistas. Diariamente, lido com a preocupação (correta) a respeito dos riscos fiscais, para o que colabora a atividade de projeção; aliás, muitas vezes ingrata. Em ano de eleições gerais, o desafio é ainda maior. Uma tendência me parece posta: os candidatos e candidatas não conseguirão fugir do debate sobre os abalos institucionais provocados pela corrupção e pela ineficiência.
De certo modo, antecipar eventos e fenômenos que possam afetar o curso da economia é a parte central do trabalho macroeconomista. Evidentemente, a política afeta os cenários preditivos. Estes, por sua vez, podem ter o condão de alertar os políticos a respeito dos perigos que se avizinham. O senso comum indica que é difícil o tema das contas públicas entrar nos discursos dos candidatos. A meu ver, contudo, este será o principal pano de fundo da campanha em 2026.
Há quem diga que a economia não será central nas eleições gerais de outubro. O crescimento econômico mediano, a inflação sob controle e o desemprego baixo combinam-se para criar uma situação confortável ao presidente Lula, que pleiteará a reeleição. Por outro lado, a oposição mobilizará os dados sobre as fragilidades da atual política econômica para apresentar nas discussões e nas peças de campanha. É natural. O calcanhar de Aquiles do país, como se sabe (e não é de hoje), está nas contas públicas.
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Não se trata de um quadro de insolvência ou de crise. Mas o déficit público é elevado, e a dívida, crescente. Tenho mostrado aos leitores e leitoras desta coluna os diferentes aspectos desse problema fiscal. Tal situação pode ensejar o debate sobre os juros elevados e seu papel central como espécie de barreira ao avanço dos investimentos e do consumo.
Mas entendo que as contas públicas dominarão o debate eleitoral por outra razão.
O abalo institucional promovido por diversos eventos, nos últimos anos, leva a uma situação de descrença nas instituições. Falei sobre isso, na última quinta-feira (19), com a jornalista Juliana Rosa, em seu programa "Economia pra você", na Bandeirantes.
As fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), o escândalo da explosão das emendas parlamentares, os supersalários no serviço público, a irresponsabilidade do Congresso e casos como o do Banco Master combinam-se para criar um quadro preocupante. São elas, e não os ocupantes de cargos públicos de plantão, as bases para garantir a consolidação da democracia.
Os eleitores querem saber como cada candidato pretende resolver a fragilização das instituições. Os temas se misturam, mas a resposta esperada é quanto à capacidade de restabelecer valores mínimos, padrões éticos e condutas disciplinadoras.
A pesquisa de percepção de corrupção da Transparência Internacional mostrou que, em 2025, o Brasil ficou abaixo da média mundial. Em um índice de 0 a 100, obteve 35, frente à média de 42. Na lista de 182 países, o Brasil ocupou a 107ª posição em 2025. Próximos do Brasil, no ranking, variando ao redor de 35, estão: Sri Lanka, Argentina, Belize, Ucrânia, Indonésia, Nepal e Serra Leoa.
Ainda que seja um índice de percepção, a partir de pesquisas junto a grupos selecionados, ele ilustra bem o sentimento geral da população. É preciso, sim, destacar o combate à corrupção em diversas frentes, como no caso da Operação Carbono Oculto. Mas, de modo geral, há ainda um desafio muito grande no sentido de fortalecer os mecanismos de prevenção e de combate à malversação com o dinheiro público.
O recente caso do Banco Master mostrou, por um lado, a eficácia do Banco Central na liquidação da instituição. De outro, despertou as atenções da sociedade para a necessidade de fortalecer as instituições e a regulação. Cabe fechar as brechas da legislação e dar robustez ao aparto estatal para agir. Não custa lembrar da tentativa frustrada de parte do Congresso, no ano passado, para fragilizar o Banco Central, por exemplo, por meio de projeto que facilitaria a demissão de diretores.
Se a economia apresenta indicadores razoáveis — veja-se o cálculo da chamada prévia do PIB (Produto Interno Bruto), pelo Banco Central, que indicou crescimento de 2,5% em 2025 —, o que coloca o incumbente em boa posição para disputar a reeleição, a visão geral do povo sobre o Estado e a coisa pública é muito ruim.
Quem conseguir apresentar, com transparência e realismo, as bases para fortalecer as instituições democráticas e garantir o seu bom funcionamento, mas, além disso, afastar rent seekers e alterar regras que os beneficiam, a meu ver, sairá na frente.
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