Ex-preso que recebe Bolsa Família 'compra' empresas com R$ 177 mi de dívida
Ex-preso que recebe Bolsa Família 'compra' empresas com R$ 177 mi de dívida
Autoridades do Maranhão estão investigando a denúncia de fraude societária na venda de um grupo empresarial de ônibus urbanos de São Luís a um beneficiário do Bolsa Família.
O Consórcio VL São Luís —que tem na composição mais duas empresas, a Expresso Rei de França e Expresso Grapiúna— pediu recuperação judicial em novembro de 2025. O grupo tem uma dívida de ao menos R$ 177 milhões, que será renegociada a partir de agora dentro do processo com os credores.
Mesmo com esse débito, o consórcio aparece como vendido em uma negociação fechada ao final de janeiro, quando ele passou para o nome de Willame Alves dos Santos, que teria pago R$ 3 milhões pelas cotas societárias. As outras duas empresas do grupo também aparecem em nome do beneficiário.
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Quem vendeu as cotas foi Deborah Piorski Ferreira, filha do empresário Pedro Paulo Pinheiro Ferreira, o PP, conhecido no ramo e vice-presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros —ele seria o verdadeiro dono do grupo.
PP é um conhecido empresário no ramo do transporte rodoviário de São Luís e também tem empresas de mineração. Até janeiro de 2024, ele aparecia como sócio e administrador das empresas que estão em recuperação judicial.
Os detalhes da venda do grupo constam em ação civil pública da empresa Vamos Locação de Caminhões, Máquinas e Equipamentos, uma das credoras do grupo, que acionou a Justiça no último dia 6 para denunciar a suposta a fraude e pedir um bloqueio de verbas repassadas às empresas.
Ao receber a denúncia da empresa Vamos, o juiz Douglas Martins, da Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís —onde tramita uma ação do Ministério Público questionando problemas no transporte municipal—, marcou uma reunião de emergência com as partes para tratar o que chamou de "gravíssimos fatos" denunciados.
Diante do cenário, o MP pediu a desconsideração da personalidade jurídica da empresa (direito para cobrar as pessoas físicas e jurídicas que são donas de uma empresa) e um bloqueio de bens do dono, da ex-dona e do empresário que seria "sócio oculto".
"O valor visa garantir a futura reparação por danos materiais e morais coletivos causados aos consumidores do sistema de transporte público", diz o pedido.
A ata da reunião, ocorrida nesta terça-feira (7) e à qual a coluna teve acesso, cita que o gerente do Consórcio Via SL confessou que o proprietário e gestor de fato do grupo trata-se de PP, que não aparece no quadro societário da empresa.
Para o juiz Douglas Martins, isso revela "existência de provável fraude societária, blindagem patrimonial e confusão na gestão", mediante a utilização de interpostas pessoas, os chamados "laranjas".
O juiz determinou o bloqueio de até R$ 50 milhões de contas de sócios e de todas as empresas em nome de PP. Ele deu prazo de 15 dias para manifestação das pessoas envolvidas no bloqueio.
Willame é um jovem de 26 anos que mora na periferia de Fortaleza, mas que se tornou sócio-administrador da empresa que gere uma grande frota de ônibus na capital maranhense: são duas empresas do grupo que circulam em São Luís.
O UOL consultou e viu que ele está na folha e recebe R$ 600 por mês de Bolsa Família.
Além de beneficiário, Willame possui passagens pela polícia cearense. Em depoimento recente à polícia, após ser preso em flagrante por suposto golpe envolvendo falsos comprovantes de Pix em uma pizzaria, ele confessou ser usuário de crack e outras drogas há cerca de cinco anos.
Segundo os registros na Jucema (Junta Comercial do Maranhão) apresentados na ação da empresa Vamos, os valores teriam sido "pagos integralmente à vista e em moeda corrente, um montante incompatível com sua realidade financeira".
A suspeita levantada na ação é que Willame foi colocado nessa posição para servir como "escudo" do verdadeiro dono.
Segundo a ação, o agravamento da crise financeira e a iminência de condenações civis e criminais teriam levado a família a transferir as empresas para Willame para que ele receba "todas as condenações que surgirem".
Dificuldades assumidas
Segundo o MP, desde novembro de 2025 o Consórcio Via SL apresenta dificuldades operacionais graves. "No dia 14 de novembro daquele mês, os trabalhadores rodoviários paralisaram integralmente a frota da empresa reivindicando o pagamento de salários atrasados, plano de saúde, tíquete-alimentação e outras verbas trabalhistas inadimplidas", conta em pedido de 31 de março.
O grupo econômico está em recuperação desde novembro de 2025, e o processo está em fase ainda inicial na 1ª Vara de Paço do Lumiar. Um novo administrador judicial foi nomeado no último dia 20 de março.
No pedido da recuperação feito à Justiça em 10 de novembro de 2025, a defesa culpa a falta de "recomposição adequada da tarifa de transporte público em São Luís entre 2022 e 2025" como uma das causas da crise.
"[O grupo] encontra-se em situação de crise econômico-financeira grave, com bloqueios diários de contas bancárias, penhoras de veículos essenciais à operação e inadimplência crescente em relação a fornecedores e obrigações trabalhistas", diz.
O grupo cita que a recuperação seria o "único instrumento jurídico capaz de assegurar a preservação da atividade empresarial, dos empregos diretos e indiretos e da continuidade do serviço público essencial de transporte coletivo".
A coluna entrou em contato, pelo WhatsApp, com o gerente do Consórcio VL São Luís e com a advogada que responde pela recuperação judicial do grupo, mas nenhum deles respondeu às mensagens. O espaço segue aberto, e a matéria será atualizada em caso de retorno.
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