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Desaparecimentos em série intrigam polícia em rota do turismo de luxo em AL

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25.03.2026

Desaparecimentos em série intrigam e abalam rota do turismo de luxo em AL

O desaparecimento não solucionado de 19 pessoas em pouco mais de dois anos nas cidades que compõem a rota de turismo de luxo no litoral norte de Alagoas virou um desafio para as autoridades do estado, que lutam para achar vestígios das pessoas em meio a uma lei de silêncio imposta pelo tráfico aos moradores das áreas pobres dessas cidades.

Nos últimos anos, a chamada rota ecológica dos milagres —que inclui os municípios de São Miguel dos Milagres, Porto de Pedras e Passo do Camaragibe— vem sofrendo com a ação de facções criminosas, em especial o CV (Comando Vermelho).

Na última quinta-feira (19), a polícia encontrou um corpo em estado de decomposição em uma área de mata em São Miguel dos Milagres. A polícia investiga se ele é um dos desaparecidos da lista das três cidades.

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Nesta terça-feira, a polícia confirmou o terceiro desaparecimento somente este ano, de um um homem de 29 anos que foi visto pela última vez no dia 21.

Desaparecidos por ano na rota:

Há alguns anos, a rota dos milagres passou a ser destino turístico de celebridades, que aproveitam as belas águas mornas em meio a um cenário rústico e paradisíaco. O sucesso fez a região passar a receber grandes eventos, como casamentos de famosos e festas de Réveillon.

A busca dos turistas pela rota atraiu investimentos, com suas pousadas, casas para veraneio e restaurantes; mas também atraiu junto o crime organizado, que aproveita a movimentação para vender drogas. Para isso, buscam controlar comunidades pobres fora da orla nas cidades.

"Há uma construção desenfreada de diversos empreendimentos imobiliários, sendo fato que as facções criminosas estão buscando dominar o território. Neste contexto, as maiores vítimas são os jovens e adolescentes vulneráveis da região, que são cooptados para atuar no tráfico", conta a promotora Marluce Caldas, coordenadora do PLID (Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos) em Alagoas.

Segundo ela, o perfil dos desaparecidos é similar: em regra são adolescentes e jovens do sexo masculino com envolvimento com drogas.

Segundo ela, ainda em 2024 o PLID recebeu os primeiros familiares noticiando o desaparecimento de jovens. "A partir daí, os casos foram crescendo na região da rota, e as investigações policiais não evoluíam", disse.

Diante dos casos sem solução, o MP cobrou medidas junto à SSP (Secretaria de Segurança Pública) para que houvesse uma investigação específica desses desaparecimentos forçados.

"Os casos estavam sendo objeto de uma investigação preliminar por não se tratar de notícia de crime, mas sim de desaparecimento. Sem resultado positivo [encontrando a vítima], as investigações estavam sendo arquivadas. Mas só pode haver finalização quando o caso tem resposta do estado às famílias", explica.

Além dos desaparecidos, as pacatas cidades também vem registrando alto número de assassinatos:

Polícia tem silêncio como desafio

O delegado de São Miguel dos Milagres e de Porto de Pedras, Heleno Melo, afirma que a polícia tem atuado "com todo rigor na área". "Estamos falando de grupos organizados com muitas pessoas que vieram de fora", relata.

Heleno afirma que os desaparecimentos têm relação com uma nova estratégia do crime no local. "Eles agora mudaram o modo de agir: antes eles assassinavam e decapitavam a pessoa. Agora eles estão ocultando o cadáver", diz.

"Quando assumi [junho de 2024], fiz uma investigação da área e vi que a facção recrutava jovens para crimes de tráfico de drogas e homicídios. A situação é delicada, muitos vendem drogas a turistas", diz.

Entre os desaparecidos, diz, a maioria absoluta tem relações com drogas. Entre eles está um adolescente de 14 anos. "O próprio pai dele nos afirmou que ele tinha uma dívida com um traficante", relata.

Heleno confirma que o CV é a facção que comanda o crime na região, e seu modo violento de agir gerou uma lei do silêncio. "A população é receosa em passar informações, teme represálias", conta.

Ele explica que um caso em especial explica o temor: no final de 2024, um idoso foi assassinado logo após prestar depoimento à Justiça em Passo de Camaragibe. "Ele foi morto na presença de um filho menor. Isso foi feito para passar o recado", conta.

"Nós estamos com um inquérito aberto para cada caso, mas as pessoas se recusam a falar. Até mesmo os familiares das vítimas não costumam ajudar. É delicado, a verdade é que a sociedade não ajuda".

A polícia alagoana tem realizado constantes operações de combate à facção na região.

No dia 9 de fevereiro, uma dessas ações resultou na morte de um líder do CV conhecido como Weberty. Após seu óbito, ele teve mensagens póstumas publicadas por integrantes do CV em redes sociais.

Segundo apurou o UOL, ele seria um dos maiores representantes do principal líder da facção na região, um homem conhecido como "Kebinho" que estaria escondido no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.

Segundo o delegado Ronilson Medeiros, a taxa de desaparecidos nessas três cidades "é muito alta, em comparação a outras".

"Nós fazemos o monitoramento dos casos e buscamos informações para subsidiar os delegados do local do fato. A gente auxilia também porque, muitas vezes, eles confiam mais nas nossas equipes", conta.

"Toda semana estou indo lá, estamos sempre fazendo buscas. Esses casos precisam de apoio de toda a sociedade, não só a polícia: é preciso MP, defensorias, prefeituras, OAB, órgãos de direitos humanos atuarem."

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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