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E se os homens lotassem as ruas neste domingo, 8M, contra o feminicídio?

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07.03.2026

E se os homens lotassem as ruas neste domingo, 8M, contra o feminicídio?

Neste domingo, 8 de março, quando organizações sociais convocam atos em várias cidades brasileiras e as ruas voltam a ser tomadas pelas marchas do Dia Internacional da Mulher, seria poderoso imaginar uma cena ainda rara: milhares de homens caminhando ao lado delas.

Não como protagonistas, nem como salvadores, mas como aliados dispostos a enfrentar a violência que nasce dentro do próprio universo masculino.

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Durante décadas, a luta contra a violência de gênero tem sido sustentada quase exclusivamente pelas próprias mulheres. São elas que denunciam, marcham, gritam, organizam redes de proteção, pressionam o Estado e enterram suas mortas.

Enquanto isso, muitos homens, mesmo entre os que dizem avançar, acomodaram-se em um lugar confortável de se declarar "desconstruído", "não machista", "aliado". Palavras que, sem ação, não estão conseguindo frear a onda de feminicídios que continua crescendo.

Num país onde mulheres, de todas as idades, são assassinadas por parceiros, ex-parceiros ou por homens que se sentem donos de seus corpos e destinos, não basta mais afirmar que não se é machista.É preciso agir contra o machismo.

A cada semana, um novo caso rasga o noticiário e revela a brutalidade de uma cultura que ainda naturaliza a violência contra mulheres e meninas.

Uma menina de apenas 12 anos era estuprada por um homem de 35, sob a farsa de um relacionamento consentido. A violência foi agravada pela conivência da família e de juízes que deveriam protegê-la.

Uma jovem de 17 anos foi vítima de um estupro coletivo em Copacabana, em um crime premeditado por um ex-companheiro, com suspeitas de repetir um modus operandi que já teria feito outras vítimas dessa brutal violência sexual.

Em outro caso recente, uma jovem foi esfaqueada simplesmente por não aceitar um pedido de namoro, como se o direito de dizer "não" fosse, para alguns homens, uma afronta imperdoável. O mesmo impulso aparece quando mulheres decidem interromper relacionamentos abusivos e violentos, muitas vezes prenúncios de feminicídio.

São tantos casos semelhantes que poderiam ser evitados pela aceitação por parte dos homens da decisão feminina de que "não é não".

Esses episódios monstruosos são sintomas de uma estrutura social que ainda educa homens para o controle, para a posse e para a violência. Daí a importância da família e da escola, espaços de formação, educarem homens ao respeito e aos limites.

Esse é um assunto para se tratar na mesa do jantar, na sala de aula, na roda do bar, nos estádios de futebol e nas ruas, em marchas.

Por isso, neste domingo, 8 de março, as marchas do Dia da Mulher serão denúncias necessárias, que precisam contar com a presença masculina. Homens devem mostrar sua real contribuição e ocupar Copacabana, a avenida Paulista, a orla da Barra, em Salvador, o centro de Brasília e tantas outras cidades que se organizam para protestar contra o feminicídio.

Essas marchas podem ser ainda mais fortes se contarem com a presença dos homens.

Sim, este também é um chamado aos homens.

Não para oferecer flores ou parabéns pela data.

O que se precisa é de homens dispostos a confrontar outros homens. A interromper piadas misóginas na roda de amigos. A não naturalizar o controle sobre o corpo e a vida das mulheres. A repudiar práticas de pedofilias contra quem ainda não tem a possibilidade de decidir. A questionar comportamentos abusivos dentro da própria família. A educar filhos para o respeito, e não para a dominação.

Ser aliado é uma prática cotidiana, que exige rever hábitos e privilégios herdados de uma educação machista, muitas vezes aprendida dentro do próprio lar.

Se milhares de homens ocupassem as ruas neste domingo para dizer que não aceitam mais viver numa sociedade onde mulheres são mortas por serem mulheres, algo simbólico e poderoso aconteceria.

Seria um recado claro para o país: a violência masculina não será mais protegida pelo silêncio masculino.

Quem sabe essa mensagem não chegaria à consciência dos outro homens, em cada lar, em cada ambiente de trabalho, em cada transporte público, e principalmente na mente daqueles que ocupam espaços de poder e que podem tomar decisões contra essa situação.

Homens assumindo que o machismo e o feminicídio não são um problema das mulheres. São um problema dos homens.

E, como todo problema que nasce de um lugar, é de lá que também precisa vir parte da solução.

Neste domingo, além de lembrar que todo homem nasceu de uma mulher, talvez seja hora de demonstrar que isso significa alguma coisa. Honrar o feminino que gera, sustenta e equilibra a vida.

Com presença. Com coragem. Com voz. Com ação.

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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