Chappell Roan x Jorginho: um clássico do machismo
Chappell Roan x Jorginho: um clássico do machismo
A internet parou neste fim de semana com a polêmica envolvendo a cantora Chappell Roan e o jogador Jorginho. Uma dupla insólita, admito.
Resumindo: em um post na sua rede social, o atleta acusou um segurança da artista de maltratar sua filha, depois de a garota sorrir para ela ao perceber que estavam comendo no mesmo hotel. Chappell gravou um vídeo dizendo que não viu nada disso e que o segurança não era dela. Não fez diferença. o que se seguiu foi uma enxurrada de críticas e memes, transformando a estadunidense em uma carrasca infantil. Eduardo Cavaliere, recém-empossado prefeito do Rio de Janeiro, vetou futuras apresentações de Chappell na cidade. Sério.
A questão, para mim, não é o incômodo de Jorginho, nem saber se o profissional rude era ou não funcionário da cantora. O que o meio-campista do Flamengo fez é exatamente o que se espera de quem tem filhos: defender a cria de toda a injustiça, real ou percebida. A qualquer pessoa que cause mal ao meu filho eu, particularmente, desejo toda a fúria do sétimo círculo do inferno. Sobre o tal segurança, é provável que nunca saibamos detalhes.
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O que me pega nesta história é a reação do público, a velocidade com que uma mulher foi julgada por supostamente destratar uma criança — ainda que não tenha sido ela diretamente. Durante décadas, coabitamos com uma infinidade de homens suspeitos e até condenados por crimes terríveis, sem que tanta gente se incomodasse. Quantos músicos bateram nas suas namoradas, ou coisa pior, sem serem cancelados, que dirá presos? Para dar apenas um exemplo, Chris Brown seguiu sua carreira de sucesso mesmo depois de reveladas as agressões violentas a Rihanna. No problem.
Mas uma mulher que ouse estabelecer limites? Inaceitável. Uma mulher que (supostamente) não sorria ou se esforce para agradar o tempo inteiro? Inconcebível. Não merece seus fãs. Deveria voltar ao ostracismo. Herege.
Nada de novo. Apenas uma régua diferente e implacável a nos medir diariamente. Um clássico.
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